sábado, outubro 14, 2017

Adamantina...! Que calor é esse?

Cresci no interior de São Paulo, portanto desde pequena acostumada com o calor. Brincávamos com o asfalto derretido nas tardes quentes de verão e quantas e quantas vezes não corríamos ou pedalávamos durante uma chuva de verão – que sempre despenava no mesmo horário - que ao cair sobre o asfalto quente fazia subir um vapor, parecia que brincávamos nas nuvens! 

A frase mais comum era, daria para fritar um ovo no asfalto. 
Lembro-me perfeitamente desses dias quentes, mas este tal calor está a cada ano que passa mais intenso. Está extremamente quente em nossa região, sinceramente considero insalubre sair de casa entre às 10 da manhã e 5 da tarde, pode até parecer exagero, mas não é. É um calor terrível, beira o insuportável. Quando eu era criança, para nosso desespero (pois tínhamos que saír da rua) era certo, como 2 mais 2 são quatro, que todos dias haveria chuva de verão, hoje, chuva é artigo de luxo, coisa rara e a chuva de verão tirou férias! A coisa é triste, está tão quente que não dá para você ficar em uma piscina, por exemplo, em horas de pico de calor, pois qualquer ser humano com um pouco de bom senso não se expõe a este sol que mais parece um maçarico. 

É coisa de louco sair para uma caminhada, ou fazer qualquer programa fora de casa depois das 10 da manhã, mesmo em tempos de horário de verão. O que nos resta, ficar dentro de casa com ar condicionado e ventiladores ligados, única forma de suportar este calor, e, se sair, saia de carro com ar condicionado ligado! Mas a coisa começa a pegar, com o aumento significativo do preço da energia elétrica, sinceramente não sei como os moradores farão para sobreviver nesse verão, bandeira vermelha, calor intenso... Ar condicionado e ventilador por estas bandas não é artigo de luxo, mas questão de qualidade de vida, pois sim meus caros, este calor não é humano!

A árvore da frente da minha casa teve que ser cortada, pois após uma ventania ela quebrou, podendo acarretar riscos para a segurança de quem passava nas ruas e para nós, moradores. Pesquisei porque uma árvore tão nova estava condenada e descobri que poderia estar ligada as podas bruscas. Podas tem consequências, e precisamos conhece-las, por estas e outras é de extrema importância que os responsáveis pela fiscalização e podas façam um trabalho de excelência, e não mais autorizem podas drásticas. Dois anos se passaram, a nova árvore ainda não cresceu o suficiente para fazer sombra, o calor na sala é infernal, porque sem a proteção da árvore o sol incide diretamente na casa.  

Um dia desses eu precisava comprar frutas em uma "fruteria" a duas quadras da minha casa, mas esperei durante boa parte da tarde esperançosa que algumas nuvens cobrissem o sol, mas como vi que isso seria impossível e me recuso a sair de carro para cobrir duas quadras me aventurei no sol. “Exaltei” meus vizinhos que cortaram as árvores das ruas em frente as suas casas, pois onde havia uma árvore era mais fácil caminhar, mas quando saia da proteção de suas sombras o sol parecia querer me fustigar com raios voltados especificamente e especialmente para minha insignificante pessoinha que caminhava pelas ruas.

Cabe ressaltar que Adamantina possuía o Selo de Município Verde e Azul - ainda é muito arborizada e hoje as árvores, ao menos das ruas, são protegidas, embora muitos consigam dar um jeitinho de burlar tal proteção. Adamantina chegou a ocupar a 18ª posição no estado no quesito sustentabilidade, me apavoro apenas em pensar nas outras cidades. 

Eu me pergunto como? Segundo o Portal Siga Mais “Adamantina conquistou o prêmio de Município Verde e Azul durante seis anos consecutivos e chegou a ser o 1º da Bacia do Peixe em 2013”. Como Adamantina pôde ostentar este título com o tratamento de resíduos desenvolvidos no município durante esses anos? Adamantina tinha um lixão – chamado equivocadamente de aterro -, sem coleta seletiva e convivia pacificamente com o estado deplorável e desumano da Usina de Reciclagem de Adamantina. 

Como de uma hora para outra Adamantina, ainda segundo portal Siga Mais de 26/09/2017, teve uma melhora significativa na pontuação de Município Verde Azul? “Adamantina somava 9,82 pontos na primeira pré-certificação, porém, na segunda pré-certificação chegou a 44,61 pontos, apresentando uma evolução de 354,28% e assim ficou entre os cinco primeiros municípios, em todo o Estado de São Paulo, que mais progrediram nas ações ambientais”.

Você percebeu mudanças significativas?

Como cidades tomadas por escorpiões, que viveram epidemias de dengue e leishmaniose, que não conseguem controlar suas "pragas" medievais que ganharam vida no século XXI, entre tantos problemas socioambientais podem ser honradas com certificações de sustentabilidade?

Tudo isso nos leva a pensar em como são redigidos estes relatórios, quem são os responsáveis pela fiscalização e se realmente há uma auditoria séria por parte das autoridades que concedem estas certificações. É de se duvidar da qualidade dos relatórios, auditorias, fiscalizações e análises, pois se assim não fosse, não estaríamos vivendo este estado de coisas no estado de São Paulo, principalmente em nossa abandonada e empobrecida região.

E voltando ao calor, logicamente esta pequena cidade se transformou numa ilha de calor, sem “arranha-céus”, mas mesmo assim, uma ilha de calor.

Como pode uma pequena cidade do interior de SP, com casas com quintais enormes, se transformar em uma ilha infernal de calor? São inúmeras as causas e as consequências. Infelizmente são nefastas e sentidas na pele. Este impacto socioambiental está relacionado a atitudes tomadas pelo próprio cidadão, somado as escolhas equivocadas de gestores, mas no frigir dos ovos todos tem seu quinhão de culpa. Sem contar as mudanças no clima que contribui significativamente para aumentar esta terrível sensação de calor, vc acreditando que este é um fenômeno natural ou causado pelo ser humano, não importa, está mais quente.

Vejamos, a escolha da cana de açúcar como monocultura básica de nossa região. Um canavial que sustente, de forma lucrativa, a produção de etanol e cana-de-açúcar, depende da disponibilidade de espaço, de grandes extensões de terra para a plantação, o que se configura em uma monocultura, já que só a cana é plantada nesta extensa área. A existência do canavial implica na substituição da função da área ocupada, pois onde se plantava alimentos agora dá lugar para o cultivo da cana, em uma clara inversão de prioridades, pois se reduziu a produção de alimentos, que hoje deu lugar ao combustível e açúcar refinado. Uma das grandes vantagens anunciadas do uso do etanol como combustível é que ele não contaminaria a atmosfera com a emissão de carbono.

Mas vamos analisar o seguinte aspecto: antes da colheita o canavial é queimado e labaredas gigantes ocupam quilômetros de extensão. Durante a queimada um imenso aporte de carbono não é liberado para atmosfera? E quanto a fuligem produzida?  As cidades que são vizinhas dos canaviais em épocas de queimada sofrem com a chuva negra, com a fuligem caindo do céu. Doenças respiratórias são comuns nessas cidades e estão diretamente relacionadas as queimadas.

A colheita é feita por bóias frias, que trabalham num calor escaldante, pois as regiões onde se cultivam a cana estão ficando cada vez mais quentes e desertificadas. Mas poderemos argumentar, as usinas de etanol e açúcar são essenciais para a região, tão empobrecida. Mas precisamos nos preparar, com a mecanização os empregos dos boia fria irão se escassear, precisaremos de alternativas... E cabe ressaltar, juntamente com a cana, os solos podem também, serem ocupados com árvores e cultivos de espécies nativas e endêmicas da região, visando a recuperação dos solos e aumentando a cobertura vegetal. Gestão inteligente do campo!

Mais árvores, mais umidade no ar, consequentemente maior a possibilidade de chuvas – somados a outros fatores, claro. A cobertura vegetal contribui para umidificar o ambiente, atenuando a sensação de secura e desertificação que tomou conta de nossa região em algumas estações e meses do ano.  
Em outros tempos a avenida Rio Branco era toda arborizada, as árvores foram cortadas devido a uma praga, mas não foram replantadas, o resultado um calor insuportável, levando com que os moradores prefiram os carros para se locomover, transformando o centro da cidade em um caos.

Este é um problema de grande abrangência espacial e terríveis consequências e, resultante de escolhas equivocadas de gestores. Mas existe um grave problema que intensifica estes efeitos, que é a opção da população por cortar as árvores das ruas e de seus quintais. Não sei quando este fenômeno teve seu início, mas dominou a tendência dos moradores, cortar as árvores das ruas, que antigamente eram dominadas por sibipirunas frondosas. Lembro-me quando criança da revoada de andorinhas que se aninhavam nas sibipirunas e que desapareceram da cidade juntamente com as árvores. Além disso, cortaram as árvores dos quintais e optaram por cimentá-los. Ou seja, as sombras que ajudariam a atenuar o calor foram trocadas por espaços que irradiam mais calor para a atmosfera intensificando a sensação de calor.

Várias foram as desculpas dadas pelos moradores para cortarem as árvores das calçadas e dos quintais, em relação as sibipirunas porque faziam muita sujeira, atraiam morcegos e suas raízes quebravam as calçadas, já as arvores frutíferas dos quintais sujavam demais.

Infelizmente opções equivocadas podem nos cobrar preços muito, muito altos, mas o pior disso tudo é que a população nem se dá conta. É terrível pensar que em uma cidade pequena como Adamantina, uma despretensiosa caminhada durante os dias mais quentes pode ser coisa de quem quer ter uma insolação ou desidratação. Pensar em alternativas que atenuem a intensidade dessa imensa ilha de calor que se apoderou da cidade é responsabilidade das autoridades que administram o município e também, da UniFai e de grandes empresas, como a de Álcool, por exemplo – exercendo sua responsabilidade social empresarial - criando e constituindo alternativas sustentáveis para melhorar a qualidade de vida dos moradores.

Foto: Junior Vicente Lima




sexta-feira, outubro 13, 2017

Sobre o aumento do IPTU, salários, oposição, e 'otras cositas más'...

O salário governador do estado de São Paulo - com 44.749.699 habitantes -, Geraldo Alckmin, é de R$ 21.631,05. O orçamento previsto para o Estado de SP em 2018 é de R$ 216,5 bilhões.

O salário do prefeito de SP, cidade mais populosa da nação com 12,04 milhões de habitantes é de R$ 24,1 mil. O orçamento previsto para a cidade de São Paulo para o ano de 2018 é de R$ 54 bilhões.

O salário do prefeito de Adamantina, uma cidade com 35 mil habitantes, passou de aproximadamente R$12 mil para R$18 mil, e o orçamento previsto para 2018 é de 94,6 milhões.

Comparando os salários do governador e prefeito de SP com o de Adamantina e levando em consideração orçamento, população, demandas, é evidente que nosso prefeito recebe MUITO, muito bem. Uma cidade com a arrecadação e estrutura como a nossa pode se dar ao luxo de pagar este salário? O que realizaram/realiza os prefeitos de nossa cidade foram condizentes com os salários que recebem? Há arrecadação que justifique estes salários?

O executivo tem feito por merecer este aumento significativo em seus salários, isso enquanto o funcionário de carreira amarga uma desvalorização de seu ordenado?

Eu acredito que o funcionário público deve receber muito bem por seu ofício, em todas as esferas, mas também deve ser cobrado, e muito, pela população pela qualidade de seu trabalho. Há uma diferença significativa entre uma máquina pública eficiente e bem remunerada, de uma máquina pública inchada que suga grande parte das receitas de uma cidade. E esta diferença precisa ficar muito clara para todos nós.

No entanto, vendo as postagens no SigaMais sinto que o executivo não está entregando o prometido, na realidade está muito longe disso. Já havia escrito em um post anterior “A sensação que eu tenho sobre Adamantina é que a cabeça não se comunica com os membros, como se os secretários e diretores agissem por conta própria – quando agem -, sem responder a um comando central, também me parece que não há planejamento e, consequentemente, inexistem ações integradas entre as secretarias, cada uma cuida, quando cuida, de seu quadrado, como se cada secretaria fosse estanque, sem comunicação com as demais”. 

Argumentando a necessidade de maior arrecadação o executivo enviou dois projetos para a Câmara de vereadores, um já aprovado em duas votações e foi aprovado por 6 votos a 2 em uma primeira votação, os dois com previsão de aumento de taxas cobradas da população.

Uma máquina que onera a população através de mais impostos. Não podemos pagar 18 mil reais para um prefeito e ter em troca aumentos de impostos, em hipótese alguma. O executivo e todas as suas partes, as muito bem remuneradas, têm por obrigação fazer a prefeitura voar e buscar recursas extra orçamento para promover, não apenas melhorias na cidade, como também buscar investimentos! Editais não faltam! Precisam ser escavados e claro, aprovados, para tanto, projetos bem escritos e embasado que se adequem as exigências dos editaisprecisam ser criados. Não dá para vivermos de 150 mil daqui, ou 200 dali, cedidos por alguém emenda parlamentar perdida de algum deputado que exibirá tal feito como uma grande realização. Basta comprender o que se passa em nosso entorno, exemplo, segundo relatos, o elevador do hospital, anunciado com pompa e circunstância sequer funciona.

Novidade em nossa cidade é campo de futebol previsto para ser instalado em um ambiente condenado, jogos regionais, que nenhuma cidade – inclusive mais bem estruturadas que a nossa - quiseram realmente abraçar, tanto que Oswaldo Cruz sediou por 4 anos o evento, enfeites de natal... Segundo reportagem publicada no site GiNoticias “Entre as ações previstas para 2.018, o Município pretende investir R$ 50 mil (recursos próprios) no Natal Mágico, R$ 70 mil nos Jogos Regionais do Idoso (sendo R$ 20 mil da Prefeitura e R$ 50 mil recursos vinculados), R$ 220 mil nos Jogos Regionais (R$ 120 mil recursos próprios e R$ 100 mil, vinculados), R$ 3,7 milhões no pronto-socorro, R$ 2,1 milhões para pagamento de precatórios, entre outras propostas apresentadas na audiência pública.”

Enquanto a cidade está sendo invadida por escorpiões, o sistema de saúde patina ou regride, a educação parece ter parado no tempo, analisando os dados divulgados na audiência pública podemos concluir que não há nenhum planejamento significativo e efetivo em curto, médio e longo prazo que nos arranque desse atraso em que nos meteram! Apenas sobrevivemos!

Não elegemos zeladores, mas administradores de uma cidade que sejam capazes, não apenas de zelar pelo bem-estar da população, mas que tirem a cidade do atraso que se meteu! Vivemos tempos carregados de idéias inovadoras, mas Adamantina vive como há décadas atrás, com uma política voltada para dentro, baseada na antiga e ultrapassada governança provinciana que privilegia grupos em detrimento de visões mais amplas de administração e constituição de políticas públicas. Enfim, urge quebrar estes paradigmas arcaicos e conceber uma cidade baseada na constituição de oportunidades de bons empregos, salários, qualidade de vida e sustentabilidade.

Mas a proposta é: mais impostos!

Não sei se vocês estão cientes, mas...

A Câmara de Adamantina aprovou na noite de ontem o aumento na taxa de iluminação pública, que seria ainda maior, se o projeto inicial do executivo não tivesse sido alterado a pedido dos vereadores. Mesmo assim, há um aumento na taxa e ela foi aprovada, dois votos foram contrários a proposta, do vereador Alcio Ikeda (Podemos) e Paulo Cervelheira (PV). A taxa realmente subirá, pois estará atrelada aos aumentos da energia elétrica e as bandeiras. A justificativa dada para o aumento foi a de que este modelo de cobrança estava defasado e que somente dessa forma a prefeitura terá recursos para a manutenção do sistema de iluminação pública. 

Infelizmente não sei se o que era arrecadado pela prefeitura com a taxa antiga era deficitário, ou mal empregado, por este motivo precisamos adquirir o hábito de exigir prestação de contas, onde cada “tostão” está sendo empregado. Antes da segunda votação na câmara de vereadores estes dados poderiam ser disponibilizados. 

Pois uma coisa é certa, aumentos vêm para ficar, mas o que precisa mudar é nossa postura, a partir do aumento devemos cobrar por cada luz queimada e locais mal iluminados, com muita estridência para que sejamos ouvidos, sempre lembrando que há eleições em 4 e 4 anos e podemos renovar, sempre, o grupo que administra a cidade.

Mas teve mais. A Câmara Municipal de Adamantina aprovou o aumento real, acima da inflação, do IPTU e também a taxa de limpeza.  O placar final dessa votação foi de 7 a 1, apenas o vereador Agnaldo Galvão, do Democratas, foi contrário ao aumento. Segundo o vereador, em nota pública divulgada em sua página pessoal do Facebook: “Sabemos que a partir do ano que vem perderemos aproximadamente R$ 300.000,00 da extinta taxa de incêndio. Porém, o aumento enviado à Câmara em muito SUPERA este valor de 300 mil, chegando a aproximadamente 900 mil de aumento, fora a taxa de inflação. Pensando na atual crise econômica, nas propostas liberais de meu partido e na minha postura durante campanha eleitoral, votei contra”.

Os outros 4 vereadores do Partido Democratas, que compõem a base de sustentação do prefeito - também do mesmo partido - votaram a favor do aumento dessas taxas. Cabe ressaltar que apoiar este aumento, ao menos em teoria, contraia as premissas do partido, afinal, os Democratas estariam imbuídos de "princípios" liberais, e também, em teoria, lutariam por menos taxas. Mas, e quanto aos vereadores dos outros partidos: PV, Podemos e PR, eles fazem parte da base de sustentação da administração, são oposição, ou pendulares?

Segundo reportagem publicada no Portal Siga Mais “Sem os recursos da taxa de incêndio, que foi extinta e deixa de ser cobrada no carnê do IPTU a partir de 2018, essa foi a alternativa encontrada como fonte de recursos para seu custeio”. Os valores cobrados variarão entre R$ 0,19 a R$ 33,56 na parcela mensal do carnê do IPTU. Em muitos casos estes valores poderiam ser considerados “irrelevantes”, uma vez que fossem as únicas taxas cobradas da população, mas nossa sociedade paga impostos em demasia.

Quais os impactos decorrentes da criação ou aumento de impostos em uma cidade com renda tão baixa, como a nossa. Adamantina é uma cidade de pobres e classe média baixa, 76% da renda domiciliar per capita do município se encontra nas faixas entre ½ e 2 salários mínimos, segundo dados do IBGE. O Produto Interno Bruto per capita de Adamantina é quase a metade do estado de SP, e inferior à média nacional. Para o economista Marc Milá, em entrevista publicada no Jornal Folha de São Paulo, “os mais pobres pagam, ao menos, 30% de sua renda via impostos indiretos sobre luz e alimentação."

Mas não pagamos impostos somente sobre luz e alimentação. Impostos, também, são cobrados de forma indireta, em cascata -  somos taxados, várias vezes, pelo mesmo produto -, sem falar no que é retido na fonte. Isso tudo somado compromete de forma significativa a renda dos mais pobres, que em troca recebem produtos, serviços e serviços públicos, muitas vezes, de péssima qualidade.

Sabemos que as prefeituras estão em quase estado de penúria, muito devido ao estrangulamento promovido pelo governo federal e estadual. E para complicar ainda mais este cenário, segundo dados do IBGE, a maior parte do dinheiro que gira em Adamantina vem de setores muito afetados pela crise, que são: setor de Serviços e Comércio; Administração e Serviços Públicos, mais Impostos – que juntos equivalem a 85,65% do Produto Interno Bruto de Adamantina. E como “se desgraça pouca fosse bobagem”, no caso de Adamantina e região, há nenhuma ou pouquíssima força política.

Mas não será através do aumento ou da invenção de novos impostos que mudaremos esta realidade. O cidadão comum mantém uma máquina pública muitas vezes inoperante, que é “preguiçosa” ou incapaz de buscar recursos “fora orçamento” para seu custeio e investimentos. Mais “simples” onerar ainda mais o cidadão - que não tem mais de onde tirar - através de mais e mais taxas. E assim, continuar andando para o lado, ou mesmo para trás.

Se os vereadores que não fazem parte do Democratas tivessem votado contra, somado ao voto do dissidente do Dem, esse aumento na taxa do IPTU teria sido rejeitado. É difícil acreditar em oposição inteligente em nossa cidade, na realidade é quase impossível acreditar que há oposição em Adamantina, a mim parece mais oposição de oportunidade.
Em nossa cidade, acompanhamos “batalhas” pelo poder durante as eleições, mas fora o calendário eleitoral, é muito raro assistimos debates políticos, críticas e proposições. Durante o mandato de um prefeito há um silêncio “ensurdecedor” vindo do mundinho político partidário de nossa cidade, tanto da ala progressista como da conservadora! É como se não existissem, nos damos conta da existência de partidos políticos na cidade apenas de quatro em quatro anos, quando os candidatos saem às ruas à cata de nossos votos, ou quando protagonizam espetáculos medíocres e melancólicos em horário eleitoral, e debates nas rádios.

Não me refiro a apontamentos pessoais e pontuais de vereadores, aqui ou acolá, mas posicionamento político dos partidos acerca da condução política da cidade. Afinal, o que pensam, o que propõem e como se posicionam os partidos políticos de Adamantina? Para mim é um mistério.
Ao fim e ao cabo, os municípios são a base de sustentação de deputados – federal e estadual - e senadores, se realmente queremos mudar o estado de “coisas” de nosso país, é imperativo começar por nossa cidade.








quinta-feira, setembro 28, 2017

É papel da UniFai mudar a realidade social de Adamantina?

Adamantina é conservadora, no sentido de conservar, manter as “coisas” do jeito que sempre foram, de uma forma isso deu certa previsibilidade e pretensa "tranquilidade", mas por outro lado, não abriu espaço para os novos tempos, para que o “novo mundo” adentrasse em seu território. O que por décadas pode ter parecido bom, hoje ilustra a estagnação da cidade. 

Em pleno século XXI, carregado de idéias inovadoras, Adamantina vive como há décadas atrás, com uma política voltada para dentro, baseada na antiga e ultrapassada governança provinciana que privilegia grupos em detrimento de visões mais amplas de administração e constituição de políticas públicas. Enfim, urge quebrar estes paradigmas arcaicos e conceber uma cidade baseada na constituição de oportunidades de bons empregos, salários, qualidade de vida e sustentabilidade. 

A contra gosto de alguns grupos que resistem as mudanças, esta bolha tende a estourar, ser implodida de dentro pra fora e, este movimento estará diretamente ligado a UniFai. Adamantina, por muito tempo, “funcionou” como exportadora de “inteligência”, mas passou a acolher e formar parte significativa de jovens da cidade e região que partiriam para estudar em novos centros. 

Jovens que buscam/buscarão sua formação universitária em nossa cidade, se formados em um centro de excelência, tenderão a quebrar a inércia e questionar o que está posto a décadas como imutável, pois têm novas idéias, cultura e novas concepções de vida e de mundo que se chocam com o que está estabelecido. Estes profissionais são/serão muito bem vindos para renovar os ares “já carregados” que por estas bandas sopram. Espero que sejam participativos, críticos, e que se engajem na busca de soluções para os problemas da cidade e contribuam para a construção de uma Adamantina menos retrógrada, mais “inteligente” e sustentável. 

Cabe ressaltar que a UniFai cumprirá seu papel, como formadora de inteligência e propositora de planejamento e ações, se realmente se transformar em um centro universitário, em sua essência, baseado nas premissas: ensino, pesquisa e extensão, com forte atuação cidadã no meio, com o intuito de contribuir, com inteligência e ação, para a resolução dos problemas socioambientais, de saúde pública, socioeconômicos, entre tantos outros vividos em nossa cidade e região. 

A UniFai, enquanto centro universitário, precisa assumir o seu papel diante da sociedade, e ser cobrada por todos nós, afinal, a UniFAI é uma autarquia municipal, não um “ente” desassociado de nossa realidade. Os profissionais ligados a ela devem assumir sua responsabilidade cidadã. Portanto, é função desse Centro Universitário problematizar, criticar e propor projetos e ações no que tange os sistemas ambiental, cultural, político, social e econômico de nossa cidade, através de trabalhos de graduação, projetos de pós-graduação, projetos de pesquisa e extensão, de parcerias criadas com a prefeitura e com os diversos setores da sociedade civil. 

Quais estímulos e perturbações serão necessários para que professores universitários saiam de sua zona de conforto e assumam seu importante papel perante a sociedade? Precisamos de pesquisadores, mas acima de tudo de orientadores, PHDs na sua essência da palavra, professores que sejam respeitados por sua forma de pensar, orientar, inspirar e agir. Profissionais que contribuam, de forma significativa, para o desenvolvimento sustentável da cidade e região.




segunda-feira, setembro 25, 2017

Questões que gostaria que fossem respondidas sobre Adamantina

Grandes notícias para a semana, né, gente!? Lojas Americanas, imagina só!, "nossa" loja online ao vivo e a cores em Adamantina, vendendo em nosso quintal! Mais um supermercado, que seja muito bem-vindo, mas não deixem de comprar também, nas vendinhas de nossos bairros, porque é importante fazer girar este comércio. Uma escola com proposta de ensino integral e bilíngue, diferente de tudo o que temos por estas bandas! Que estes novos empreendimentos sejam todos muito bem-vindos e que venham muitos mais.

Importante, também, destacar o posto de atendimento de especialidades da UniFAI, que poderá contribuir, juntamente com outras medidas e ações, para revolucionar o atendimento de pacientes que precisam de atenção de um especialista. Imaginem não mais ter que acordar às 3 da manhã, e doente, ter que se deslocar para Marília ou Tupã, e ter atendimento público e de qualidade aqui em Adamantina! 

Conhecemos a precariedade e sucateamento de nosso sistema único de saúde - em nosso país, em nosso estado, em nossa cidade - que em muitos casos é mal gerido, sucateado e palco de muita ineficiência, incompetência e maracutaias, mas lutando contra este nefasto sistema podemos encontrar muitos profissionais da saúde que lutam bravamente para, ao menos, dar dignidade para seus pacientes diante de um cenário de gestão tão devastador. Sim, há médicos excelentes, humanos, competentes e bravos que lutam com todas as suas forças contra este sistema nefasto da produção da doença, mercantilização e desumanização de nosso sistema de saúde. Que seja esta a premissa básica na formação dos médicos em Adamantina! Toda sorte do mundo e muita competência! Que este seja o primeiro passo para uma revolução no sistema de saúde da cidade!

Temos mais é que apoiar estas ações e que sejam apenas o início de uma mudança efetiva!!! Mas é importante a gente também, pontuar e ficar no pé da Administração e dos vereadores, afinal, os eleitos não estão aí a passeio voluntário, mas têm responsabilidades imensas para com a cidade e convenhamos, precisamos de mais! O mais em questão nem é referente a novos empreendimentos, mas sim ao que já temos. O que está sendo planejado em relação a educação, saúde, mobilidade urbana, urbanização, reflorestamento, projetos para diminuir a área dessa ilha de calor que se tornou a nossa cidade, entre tantos outros, mas destaco 6 pontos que foram discutidos recentemente, e ainda precisam de respostas.

1. A pavimentação da área da ponte dos bairros Mario Covas e Eldorado terá início. Pergunto, consta nesse projeto a conclusão da pista de caminhada e recuperação da pista do Parque Caldeira?

2. Semanas após a interdição de três parques da cidade. O que entendi é que seria constituído um grupo para analisar as condições dos parquinhos e a partir daí arrumar o que precisaria de conserto, retirar os brinquedos que não oferecem segurança e por fim, reabrir os parquinhos... Estas análises estão sendo feitas? Se sim, já um cronograma de ação? Quando os parques serão liberados? Se não, por que as vistorias ainda não foram feitas?

3. A secretaria de Meio Ambiente está trabalhando no edital que poderá disponibilizar um milhão de reais para desenvolvimento de projetos de compostagem? Já que a Gestão dos Resíduos Sólidos é premente e onerosa, qualquer ajuda é bem recebida, imaginem 500 mil ou 1 milhão de reais!? Se não há interesse dos gestores da cidade neste projeto, qual é o motivo?

4. Há quantas anda a negociação para o início de aulas da FATEC? Há previsão para o início das aulas?

5. A temporada das chuvas se avizinha e poderá vir com muita intensidade! Quais ações estão sendo postas em prática para evitar que a cidade vivencie problemas recorrentes e decorrentes de bueiros entupidos, materiais de construção que bloqueiam a vazão da água, áreas de escoamento ineficientes, construções irregulares, loteamentos mal planejados, entre outros?

6. Foi aprovado na semana passada o aumento no IPTU e na taxa de limpeza, com uma votação expressiva de 7 a 1, apenas o vereador Aguinaldo Galvão foi contrário à medida. A pergunta é: quais as melhorias previstas para a cidade, nestes setores, decorrentes desse aumento significativo da arrecadação?, com previsão de chegar próximos aos 900 mil reais.

E de "quebra", seguem mais algumas questões que gostaria de ver respondidas por nossas autoridades...

Convido você, através de algumas questões, buscar conhecer um pouco melhor nossa cidade. Creio que todos nós gostaríamos de saber um pouco mais sobre Adamantina... Mas, para tanto, precisaremos saber as respostas. 

Vamos lá... O Prefeito de Adamantina e vice-prefeita são do DEM. A câmara de vereadores é composta por:

5 vereadores do Democratas:
Edinho Ruete, o mais votado na cidade (5,91% dos votos), Eduardo Fiorilo (5,28%), Acácio Rocha (4,17%), Dinha (3,91%) e Aguinaldo Galvão (3,91%).

2 vereadores do PV:
Paulo Cabeleireiro (4,56%) e João Davoli (4,45%).

1 vereador do PTN
Alcio Ikeda (5,85%)

1 vereador do PR
Professor Hélio (2,65%)

Total de nove vereadores! Esta é a composição do cenário de poder da cidade e base de sustentação ao executivo que tem a maioria na Câmara de Vereadores. 

Secretários de Adamantina:

Secretário Municipal de Gabinete: Gustavo Taniguchi Rufino

Secretária de Assuntos Jurídicos: Claudia Bitencurte Campos

Secretário Municipal de Administração: Evandro Pereira de Souza

Secretário Municipal de Finanças: João Lopes de Oliveira

Secretário Municipal de Planejamento e Desenvolvimento: Paulo Augusto Purificação

Secretário Municipal de Obras e Serviços: Welington Rodrigo Zerbini

Secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social: Andréia Regina Ribeiro

Secretário Municipal de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente: Emerson Hernandes Baptiston

Secretaria Municipal de Saúde: até o momento não consta no site o nome da secretária de saúde

Secretário Municipal de Educação: Osvaldo José

Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação: Ronaldo Pereira Dutra

Importante que os moradores entrem no site da prefeitura - este é o link: http://www.adamantina.sp.gov.br:8080/portal/secretarias.jsf - para conhecer mais sobre as competências e atribuições de cada secretaria e cobrar os responsáveis, além claro, é fundamental conhecermos quais são as qualificações e formações desses secretários. Se já fizeram parte de outras administrações, quais foram suas realizações?

Como “vive” a cidade governada por estes partidos?

De onde vem o dinheiro que financia a Administração pública: Do comércio? Da Agricultura? De indústrias? Da Usina? Da confecção? Qual a proporção arrecadada em cada setor da economia da cidade?

Quais são/serão os projetos alternativos - fora do orçamento anual - desenvolvidos pelo executivo? Quais a verbas “extra orçamento”, até o momento, foram conquistadas pelo executivo? Quais a verbas “extra orçamento”, até o momento, foram conquistadas pelo legislativo?

Quais as propostas do executivo foram criadas e estão em execução para atrair novos investimentos para a cidade?

Quais promessas de campanha foram cumpridas até o momento? Quantas restam cumprir? Será possível cumpri-las até o fim do mandato? Se a resposta for negativa, por quê?

Quem são e o que - nestes últimos anos - fizeram para a cidade os vereadores eleitos? Quais os projetos aprovados e propostas?

A cidade sucumbiu a uma epidemia de dengue, com números avassaladores, prostrou significativa parcela dos munícipes (1 caso para cada 30 moradores). O que está sendo feito, no âmbito da prevenção, para que nos próximos anos a cidade não seja mais vítima de uma epidemia de dengue? A mesma pergunta cabe a proteção dos cães e da população em relação à leishmaniose.

O grande problema do Parque dos Pioneiros. Por que ainda não há um projeto efetivo para solucionar os problemas do parque? Se há este projeto, porque ainda não foi colocado em prática? Se há negociações orçamentárias, a quantas anda? Qual a previsão para que as ações para a solução do problema sejam efetivamente colocadas em prática?

Por que a prefeitura está tão inchada de cargos comissionados? Qual relevância desses cargos? Quem são e como atuam estes contratados? São essenciais e de atuação significativa e relevante para a administração da cidade?

Por que faltam remédios de distribuição gratuita?

Por que a mobilidade urbana não é prioridade e quais as razões para aceitar o transporte público de péssima qualidade? Por que a empresa responsável pelo transporte de passageiros na cidade não foi multada por não ter comprido as exigências que constavam em contrato?

Por que escolheram comprar um terreno que não constava no plano diretor para construção de casas populares? Ou, este terreno consta no plano diretor? Era de conhecimento das autoridades que parte desse terreno era em um Área de Proteção Permanente –APP?

Em relação a incrível história inacabada da Faculdade de Tecnologia - FATEC, aprovada no ano de 2011, que até hoje não tem terreno para sua construção e sua sede provisória é jogada de lá pra cá sem nenhuma definição, e passados tantos anos de sua aprovação as aulas ainda nem começaram, qual o planejamento traçado para o início das aulas?

E em relação ao matadouro?

A Usina, que outrora foi um “modelo” de segregação de lixo, hoje nada mais é do que um reflexo da cidade, uma caricatura do que poderia ter sido. Por onde andará a CETESB?

Quanto ao novo Aterro Sanitário. Quanto custará, mensalmente, para o município? Como será tratado o chorume? Quais as ações de Educação Ambiental estão previstas para estimular a população a minimizar a produção de lixo?

Entre tantas outras questões: propostas para educação, saúde... e por aí vai!

Precisamos compreender os meandros do poder da cidade e seus agentes, conhecer intimamente as propostas dos candidatos e cobrá-los, saber também sobre a composição política da câmara de vereadores e da prefeitura, refletir e problematizar as “motivações” políticas e também sobre as potencialidades e problemas da cidade.

O problema, infelizmente, está enraizado em nosso sistema político partidário, ocupados por sujeitos que orbitam na esfera do poder entra ano e sai ano, que não trazem nada de novo, ou muito pouco, apenas carregam os mesmos vícios do passado. Infelizmente muitos políticos usam do poder como status, para impulsionar suas vidas pessoais ou dos “seus”, se servindo do bem público e não servindo ao público, se são probos, infelizmente, muitos, são arcaicos, incompetentes, retrógrados, pouco inovadores e nada visionários - apenas a boa vontade não faz um grande político. Há no município, sim há, políticos sérios, comprometidos e atuantes - antigos políticos e jovens políticos - mas estes devem ser, sempre, a maioria, nunca a minoria. Enquanto nós não compreendermos todo este processo, continuaremos sendo as vítimas passivas desse sistema de poder.

*Desculpem tantas postagens em tão poucos dias, mas como estou de partida e ficarei alguns meses fora da cidade, gostaria de deixar estas questões! Para quando eu voltar já estar tudo resolvido! :p Afinal, a esperança é a última que morre e como nos ensinou Santo Agostinho, A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.

Isabel Cristina Gonçalves é Adamantinense, Oceanógrafa, Mestre e Doutora em Educação Ambiental. Pós-doutorado, pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no projeto: "Mudanças climáticas globais e impactos na zona costeira: modelos, indicadores, obras civis e fatores de mitigação/adaptação - REDELITORAL NORTE SP"