domingo, março 04, 2018

As pessoas interessantes que conheci...


As pessoas incríveis, interessantes, especiais e “diferentes” que conheci, tem algo em comum, elas vivem as suas vidas, assim, simples assim. Toda energia é demandada para viver. Não existem para “ter” coisas, como dinheiro, bens materiais e “gente” - para ser alguém -, pelo contrário, são alguém porque vivem. 

Enquanto a maioria de nós passa uma vida vivendo para conquistar e ter algo para provar que é alguém digno de respeito, estes seres vivem a sua vida se desfazendo de tudo que não faz sentido, e, por este motivo, são leves como uma pluma e voam ao sabor do vento, livres do peso das amarras que o "ter" impõe, sabem que não tem que provar nada para ninguém para ser, alguém! 

São pessoas capazes de levar sua vida, quando se mudam - sempre mudam, de dentro para fora, de fora para dentro, de lugar, de vida - dentro de "uma simples mala”, pois este "ser" carrega todo seu tesouro dentro de si. Um “tipinho” de ser humano que brilha mais que ouro quando se mostra, como se abríssemos uma caixinha de diamantes e de dentro dela irradiasse a mais pura luz, um prisma que congrega todas as cores, tons, sons... 

Afinal, o que é precioso e de real valor está na alma daquele que entende que o significado de cada um de nós está em nossa capacidade de amar, de ter empatia, de nossas ações, na forma em que colocamos nossas palavras para caminhar, ou na forma que tropeçamos e nos levantamos, e nas lições que tiramos de cada tombo, de cada erro. Este tipo de “gente” “transforma erros em ouro”. 

Quando nossa vida cabe em “uma simples mala”, o mundo é mais simples, os problemas são menos sombrios e o medo de “perder” é quase inexiste, afinal, perder o que? Gastamos tanto tempo, as vezes uma vida inteira, com medo de perder, que deixamos de viver. 

Creio que o maior exercício em ‘ser’ humano é compreender que o grande tesouro está em cada um de nós, que somos o “pote de ouro” no fim do arco-íris. O valor da vida está em “ser” humano, no amor, na liberdade sentida e vivida, que é o oposto de ter/possuir.

Quando a gente aprende a dividir com o “universo” entendemos o real significado de “sentir”, "ser" e “ter”. 
Tudo que é “nosso”, de coração e alma, será sempre “nosso” – conectado a nós. 

Faz parte do crescer, amadurecer e de ser, compreender que temos tudo que precisamos nesse mundo, dento de nós e conectados a nós, mas não presos a nós. O amor, “pois sem ele nada seremos” está diretamente associado à liberdade e, se conseguirmos “sentir o mundo” dessa forma, entenderemos que o tempo e o espaço, são sim relativos e que “temos” sim, tudo o que precisamos, em nós. 
... do jeitinho daquelas pessoas que carregam sua vida em apenas "uma mala”.




quarta-feira, fevereiro 28, 2018

Dória, o Governador!

A notícia terrível do dia foi a divulgação, pelo Instituto Paraná Pesquisas, da intenção de votos para governador do estado de SP. Doria é disparado o favorito, aí não sei se sento e choro, ou sei lá o que... Mais 4 anos de PSDB no estado, quase 30 anos, a República do Tucanistão, uma oligarquia de coronéis emplumados. Uma tragédia!, pior que não sairemos muito disso não. O PT no estado apenas sobrevive, nenhum outro partido de esquerda sequer tem vida, anos e anos vivendo na sombra do PT mais à direita do país, a turma do Lula, mas de uma militância “à esquerda” que ainda não entendeu a cara desse PT, é esquizofrênico o "bagulho", dá nisso, nada de votos... Com o andar da carruagem a disputa ficará entre Dória, Russomano ou Skaf, isso se o Alckmin não der um “trança pé” no Doria e tentar emplacar seu vice, hoje no PSB, mas que pode virar tucano. É de clamar intervenção, mas intervenção alienígena, negociar uma abdução, quem sabe em outro planeta...

O “gestor”, João Dória. O até então conhecido frequentador das rodas sociais de SP, o ricaço, o apresentador de tv que fazia cosplay do Trump, foi lançado e “vendido” como um grande administrador, uma espécie de anti-político. Como, o até então riquinho, se transformou em um grande gestor, isso os marqueteiros poderão explicar, afinal, se especializaram em criar e vender um produto disfarçado de político. “Especiaria” que venha ao encontro das “necessidades” do consumidor. Sim, passamos a consumir a imagem criada para os políticos, que são “vendidos” no varejo. Dilma é a maior expressão da transformação marqueteira de uma tecnocrata incompetente, que foi transformada em uma grande gestora, em um ser político palatável para o gosto do público, logo, viável para ganhar uma eleição. Dilma passou por processos de transformação não apenas físicos – mudaram o rosto dela -, mas também comportamentais para melhor se adequar ao ideal de consumo do eleitor, dessa forma, o poste de Lula ganhou vida.

E assim, também foi construída a imagem do “bom gestor”, baseada na premissa: se todo político é corrupto e incompetente, precisaremos de gestores que orbitam fora da política para resolver o problema do país. Esta lógica esconde a premissa básica de um governante, que é a promoção de políticas públicas, ao menos deveria ser. Mas o brasileiro nem tem idéia do que é política pública, portanto, acredita que um país pode ser gerido como uma empresa. Dessa forma, nem cabe a mão direita ou esquerda do estado, mas sim, uma gestão corporativa do Estado! Nem para a Inglaterra esta premissa daria certo.

Dória é um Administrador de empresas, e como administrador, pensa em lucro, ou seja, cortar gastos e custos para maximizar os lucros. E com estas premissas ele chegou, chegando, cortando gastos e usando estratégias de marketing bem articuladas, como em uma boa empresa, pois precisa da publicidade para “vender” o produto. Em um país onde o estado é perdulário e a sociedade – que vive em sua zona de conforto e cuidando apenas do próprio umbigo - não entende as diferenças entre investimento e desperdício, o que é administrar e o que é promover políticas públicas, ações como a do Dória chamam a atenção e o promovem como um “grande” gestor.

Mas uma cidade não é uma empresa, ela carrega todos os conflitos de uma sociedade desigual, muitas ações tomadas por Dória são superficiais, mas extremamente midiáticas, quer ação mais mídiatica do que alguém fazer exames na madrugada no Sírio Libanês? Afinal, a patuleia está fazendo seus exames no hospital dos ricos, poderosos e famosos! Enquanto promove e “vende” um programa como este, deixa de lado políticas públicas efetivas para fortalecer o sistema público de saúde, o gargalo continuará o mesmo e tendendo a piorar, mas todos, por enquanto, estão felizes com o corujão da saúde.

Para nossa sociedade, não habituada, talvez infelizmente, incapaz de dar contexto a nossa realidade, isso tudo parece inovador, “como é lindo ver o prefeito se vestir de gari”, sei lá mais do que, pois uniforme é que não falta para o Dória, e tudo isso dá a idéia de que ele é O grande gestor, O antipolítico. Porque para muitos, o que importa é uma cidade “linda”, admirar a superfície, como a galera do Rio, que por anos viveu a ilusão do Rio de Janeiro Zona Sul, e agora teve que caír na real.

Mas óoria está falhando no quesito políticas públicas, que é a promoção de ações efetivas de melhor condição de vida de toda cidade, um exemplo, o congelamento da tarifa de ônibus, que a primeira vista é lindo, mas congelar a tarifa e aumentar a integração prejudica o trabalhador da periferia, aquele que pega vários ônibus e metrô, o mesmo trabalhador que foi expulso do centro pela gentrificação, promovida por Haddad e Lula. Mas como assim? Com o boom da especulação imobiliária e ascensão da sociedade via consumo, Haddad foi outro que abandonou a periferia, e administrou a cidade para uma esquerda de classe média e alta, que tem sonhos de um país de primeiro mundo, mas esquece que não temos saneamento básico, enquanto a esquerda se banqueteava com ciclovias e outras ações do tipo, esqueceu, junto com o prefeito, de que existe uma periferia, e que existem gargalos colossais no tange o saneamento básico, saúde, educação, transporte, não apenas em SP, mas também no estado e no país. Não há política pública! Não há!

Medidas superficiais, e o famoso “cortes de gastos”, cobram um preço extremamente alto e que é cobrado por décadas da sociedade, o Espirito Santo é o maior exemplo, o governador, até então, cantado em verso e prosa, por ter equilibrado as receitas do Estado, será o governador lembrado pela barbárie que se instalou em seu estado, simplesmente porque cortou gastos na segurança. Cortam-se gastas com segurança pública e na outra ponta não há promoção de políticas públicas, esta equação não fecha e jamais dará certo.

Uma cidade, um estado e um país não são empresas, precisam de investimento, massivos investimentos!, inteligentes investimentos!, em áreas chaves como saneamento, saúde, segurança, educação, nem que isso signifique endividamento, porque tudo seria compensado no futuro, com um país moderno, que produz tecnologia e inovação e, que oferece igualdade de acessos e direitos, que educa igualmente – respeitando as diferenças regionais e as particularidades de cada lugar -, que oferece bons empregos de excelente remuneração.

O problema é que nos endividamos enquanto nação para encher baldes furados e poços sem fundo, mantidos dessa forma por um estado corrupto, perdulário e que gere o país para maximizar lucros de quem investe nesses arcaicos políticos. A máxima é muito simples, políticos se mantêm no poder enquanto enriquecem de forma ilícita, e por outro lado, mantém os privilégios de uma classe de empresários, industriais, latifundiários, exploradores da fé humana, donos de planos de saúde, mega empresários da educação privada, e por aí vai.

Cortam-se investimentos no bem estar da população para sobrar o quinhão dos “amigos do rei”, com isso, o país estanca com os dois pés no atraso tecnológico e social, tudo isso para manter um casta de privilegiados. 

E com a aprovação da PEC 241/55, nem tem por onde este país dar certo.




terça-feira, fevereiro 27, 2018

Cadê os médicos dos postos de Adamantina?

Um moradora da cidade fez um desabafo no Grupo Siga Mais “Cade os médicos dos postos de adamantina minha mãe está tentando se consultar a dias, Ela tem animia e esses dias não esta conseguindo respirar direito , nos achamos que é a animia atacando . no postinho da Jamil de Lima e não tem médico só mes que vem . hj ela foi no póstao perto da santa casa e não quiseram atender ela pq ela não e daquele bairro !! Vai esperar morrer Vamo ter mais conciencia ... Indignada (sic)”. 

Gostaria de saber qual será o nível da sensibilidade social de um gestor da saúde que permite, ou até mesmo desconheça, que médicos ou outros agentes da saúde saiam de uma só vez de férias. Como se a doença ou o mal-estar, que necessitam de atendimento especializados, também dessem um tempo, do tipo "como o médico está em férias, não provocarei doença em ninguém, disse o vírus para a bactéria". É óbvio que todos os profissionais têm o direito a suas férias, não é culpa do médico, do dentista, do psicólogo... mas cabe a quem administra a saúde equilibrar essas escalas, e sempre, SEMPRE, suprir as ausências. É inadmissível um posto de saúde ficar sem médicos! 

Nesse ponto a gente nem cai, desaba, mesmo, na realidade sobre a insensibilidade social de quem deveria gerir a saúde em nosso município. Aqui não cabe nenhuma crítica aos profissionais da saúde, médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, agentes comunitários de saúde, mas sim, sobre os responsáveis pelo planejamento e humanização da saúde em nossa cidade. 

Falamos tanto sobre a humanização do profissional de saúde, mas esquecemos da humanização de quem comanda, os responsáveis - em seus gabinetes climatizados - por organizar esse sistema e fazê-lo funcionar. Em nossa cidade há mais do que indícios de que o sistema saúde não passa de mais um órgão desconectado dos demais, sem comunicação com o cérebro, se é que existe um cérebro coordenando essa cidade. 

Quem é os Secretário da Saúde, até pouco tempo atrás ele era chefe da gabinete do Prefeito e anteriormente também serviu a governo Ivo, mas por que um bacharel em direito, um burocrata, foi escolhido para secretário da saúde? Quais suas qualificações que o gabaritam para assumir esse cargo? Nós precisamos conhecer esses detalhes, que na realidade são imprescindíveis para compreendermos como se dá a gestão em nosso município. E aqui não vem nenhum juízo de valor a pessoa ou a integridade do secretário de saúde, mas sim, um questionamento sobre suas qualificações para o cargo de Secretário de Saúde. 

No dia 9 de fevereiro de 2018 foi publicado no Portal Siga Mais uma reportagem intitulada “Justiça do Trabalho multa prefeitura por não cumprir piso dos Agentes Comunitários de Saúde”. Ainda segundo a reportagem a prefeitura foi multada pelo “não cumprimento da determinação para que seja pago aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) o piso nacional da categoria, previsto em Lei Federal Nº 11.350, de 5 de Outubro de 2006” “a juíza Eucymara Maciel Oliveto Ruiz aplicou a multa de R$ 20 mil e determinou outras providências”, e afirmou “Alerto ao reclamado que, pelo descumprimento da tutela antecipada, incorreu na multa estabelecida pela r. sentença (R$ 20.000,00), e pelo descumprimento da determinação contida no despacho de liquidação (Id. dbd722e), vem incorrendo em multa diária de R$ 200,00”, escreveu. Ainda de acordo com a magistrada, “(...) conforme constou no despacho de liquidação, serão expedidos ofícios ao Tribunal de Contas do Estado e à Câmara Municipal, para verificação de eventual crime de responsabilidade, pela elevação dos gastos públicos com o descumprimento de obrigação de fazer”. 

Podemos concluir que não há planejamento sério e efetivo para a gestão da saúde em nossa cidade. Não precisa ser experiencialista em gestão da saúde para saber que a prevenção é a base, ao menos deveria ser, de qualquer planejamento em médio e longo prazos. Uma infinidade de recursos seriam economizados se fosse evitado que as pessoas fiquem doentes, em lugar de trata-las. 

Que grupo compõe a melhor estratégia para a prevenção? Os Agentes Comunitários de Saúde. Que estão todos os dias nas casas de moradores. Isso se realmente a Estratégia Saúde da Família (ESF) fosse levada a sério e prioridade dos gestores municipais da saúde e claro, de quem comanda, pois a responsabilidade não é apenas dos secretários, mas principalmente do prefeito. 

Evitando que as pessoas fiquem doentes, muito se economizaria em tratamento, exames e por aí vai. Segundo o portal do Ministério da Saúde a ESF “busca promover a qualidade de vida da população brasileira e intervir nos fatores que colocam a saúde em risco, como falta de atividade física, má alimentação e o uso de tabaco. Com atenção integral, equânime e contínua, a ESF se fortalece como uma porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS)”. 

Um exemplo, entre tantos que poderiam ser dados, muitas, muitas pessoas hoje estão obesas, acima do peso, devido a diversos fatores, entre eles a má alimentação, o sedentarismo, e esse quadro pode levar a diabetes, problemas vasculares e cardíacos, depressão, entre tantas outras enfermidades que seriam tratadas nos hospitais, mas que poderiam ser evitadas - desafogando, assim, a Santa Casa -, através do trabalho integrado e em conjunto nos ESFs, com médicos, nutricionistas, psicólogos, dentistas, entre outros. Mas quem é a porta de entrada na vida desses moradores? Os agentes comunitários de saúde!, que deveriam ser valorizados, receber seu salário de forma correta, incentivados, melhor preparados e formados, com constantes aportes de conhecimento através de atividades de formação continuada. Mas em lugar de estimular esta integração entre essas diversas especialidades os gestores públicos sucateiam esses ambientes, não apenas em relação a recursos financeiros, mas de valorização do profissional, de horizontalização de decisões, dessa forma, não são formados grupos inteligentes de planejamento e ação, não passando de agregados de gente sem comando. 

Isso gera profundo sofrimento para os profissionais de saúde que estão nessa ponta - contato direto com o paciente - lutando contra o sistema incompetente que promove a doença, mas chega um momento em que o profissional cansa de lutar, é vencido pela incompetência, fisiologismo e clientelismo que premia os que fazem parte do grupo político da vez, em detrimento da competência, e dá as costas para os profissionais de saúde que estão bravamente lutando na linha de frente. 

E aí voltamos a senhora que procurou atendimento no Posto e não encontrou, pessoas que usualmente buscam um posto de saúde mais perto de sua residência não tem condições financeiras ou mesmo de saúde para se deslocar para outros pontos da cidade, o sistema de transporte público de Adamantina é péssimo. E não precisa muito, não, basta organização, e planejamento sério e efetivo para humanizar a saúde de nossa cidade. 

No dia 7 de fevereiro o vereador Acácio Rocha publicou no Grupo Siga Mais “Saindo agora do Fórum, de uma importante reunião convocada pelo promotor Dr. Rodrigo Caldeira. Na pauta, ações efetivas de combate a escorpiões, e responsabilidades do Poder Público (Prefeitura) e Moradores. Participaram o prefeito, a procuradora municipal e a responsável pela área de vetores/endemias da Secretaria Municipal de Saúde. Em breve atualizaremos sobre as ações”.

Primeiro, que para se mover a prefeitura precisou de um Terma de Ajustamento de Conduta, porque prefeituras se movem apenas através de imposição do Ministério Público? Há quanto tempo a cidade sofre com esse problema, e nada! Mas hoje é dia 27, 20 dias após essa reunião, tempo suficiente para organizar e colocar o “time em campo”, aí eu gostaria de saber, qual o plano e ações integradas entre secretarias foi arquitetado? Quantas reuniões entre os diversos setores do poder público foram feitas - porque essa não é uma ação de uma única secretaria e muito menos do setor vetores/endemias -, visando mitigar o problema? Quais ações já estão sendo efetivadas? Levando em conta que esse problema não nasceu nessa reunião, mas que existe há anos e que deveria ser prioridade há muito tempo, afinal é um problema gravíssimo e recorrente! Quais as promessas feitas nessa reunião, e quais foram cumpridas? Fora dengue, leishmaniose, que está mobilizando ações integradas entre diversas secretarias de cidades vizinhas, mas por aqui, por enquanto...

E enquanto isso a sociedade paga a conta dos péssimos serviços públicos oferecidos, não apenas, mas também, através de um novo IPTU – O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) entrou com uma ação civil pública, com pedido de liminar, para que a Prefeitura do Rio seja obrigada a suspender imediatamente a cobrança do IPTU 2018. De acordo com a ação, o aumento no imposto é "inconstitucional e abusivo" -  como no Rio, Adamantina teve um aumento exorbitante, muito mais do que os salários de qualquer um, menos do prefeito e secretários. Enquanto o salário do prefeito subiu para 18 mil reais mensais, e dos secretários para um pouco mais de 6 mil reais mensais, o trabalhador tem tido o seu salário achatado, condições de trabalho sucateadas. Eu me pergunto, como alguém pode ficar em sua sala climatizada ganhando um polpudo salário enquanto paga 11 reais de vale alimentação para seus funcionários, valor pago desde 2013. 

Adamantina é uma cidade de pobres e classe média baixa, 76% da renda domiciliar per capita do município se encontra nas faixas entre ½ e 2 salários mínimos, segundo dados do IBGE. É inadmissível que o cuidado para com essa faixa da população seja negligenciado, seja no combate ao mosquito, seja na mobilidade urbana, porque prefeito, secretários e vereadores não pegam ônibus, seja no dia a dia em busca de remédios e atendimentos de saúde, por falta de creches, casas populares... Que os vereadores sequer tenham tocado no plano diretor e falem em casas populares, é pedir para ter problemas futuros, como temos visto com os novos condomínios, o nome disso é descaso e incapacidade de analisar todo o contexto que envolve decisões do executivo, e por aí vai! 

Mas não pagamos impostos somente sobre luz e alimentação. Impostos, também, são cobrados de forma indireta, em cascata -  somos taxados, várias vezes, pelo mesmo produto -, sem falar no que é retido na fonte. Isso tudo somado compromete de forma significativa a renda dos mais pobres, que em troca recebem produtos, serviços e serviços públicos, muitas vezes, de péssima qualidade. 

O Partido do prefeito que faça alguma coisa, porque se continuarem nessa toada, nas próximas eleições nem vereadores elegerão! Nessa gestão é um absurdo seguido por outro absurdo! É inadmissível, indecoroso, um prefeito receber 18 mil reais mensais, secretários que receberem mais de 6 mil reais, diretores que receberem 4 mil reais, enquanto o salário do funcionalismo está defasado, e o auxílio-alimentação dos funcionários da prefeitura é de apenas 11 reais. 

A inteligência que poderia ser montada na prefeitura se desfaz - consequentemente não há a criação e nem o desenvolvimento de políticas públicas. Funcionários desvalorizados passaram a ser meros executores de atividade corriqueiras e não colaboradores da gestão, sem falar na perda das bolsas da UniFai que eram concedidas aos funcionários públicos do município. Um município que não dispõe de fartos recursos financeiros precisa, de todas as formas, qualificar e motivar seu quadro de funcionários. 

Seria muito mais barato e produtivo para a cidade se os funcionários concursados fossem valorizados não apenas em seu salário, mas que também recebessem treinamento especializado, que constantemente se atualizassem em cursos de formação – incluindo professores - que formassem um grupo de inteligência, que a prefeitura investisse em cursos de aperfeiçoamento do grupo, que assim, desenvolveriam habilidades e competências para resolver os problemas da cidade e, em conjunto com os secretários e diretores, criassem novos projetos e planejassem a cidade em médio e longo prazo. Dessa forma, mesmo que um grupo diferente assumisse o poder, sempre haveria um corpo de funcionários competente para executar as funções. 

Não é exigir estado máximo, mas que sim que haja o máximo de eficiência, competência e responsabilidade na tomada de decisões. 

Precisamos exigir do executivo e legislativo que tenham maturidade política, que compreendam não apenas as necessidades urgentes de uma cidade, mas todo o contexto político, social, econômico, ambiental da cidade e também da macro política. Não é mais admissível aceitarmos provincianismos de nossa classe política e ações que visem o aqui e agora, enquanto domina a total ausência de planejamento em nossa cidade, esse é um cenário aterrador. Passou da hora da administração dessa cidade olhar para o conjunto da sociedade e não apenas para o seu umbigo...
Temas ligados à saúde pública foram discutidos pelos vereadores e representantes da Secretaria Municipal de Saúde de Adamantina (Foto: Paulo Henrique de Brito) -23/03/2017. Fonte: http://www.sigamais.com/noticias/saude/vereadores-e-secretaria-de-saude-tem-reuniao-sobre-esf-da-vila-cicma/





sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Até quando, Adamantina!?

Até bem pouco tempo a única informação que chegava até a nossa sociedade era desconectada da realidade, manipulada e servil a quem pagava ou detinha o poder, informação que era restrita a grupos de poder que controlavam a pauta da mídia. Mas hoje, as estratégias dessa mídia servil, graças às redes sociais, foi desmascarada e também suas formas implícitas – muito bem mascaradas – de contar um caso que vem ao encontro da pauta do “poder do dia”. 

Aquela gente cansada que chegava do serviço e engolia, sem contextualizar, a informação do dia, hoje abre um site da internet e recebe outro tipo de informação, na realidade poderia dizer que recebe a contra informação do que havia visto, e se esta pessoa não utiliza as redes, ela certamente conversará com alguém que não apenas leu, como também, discutiu as notícias do dia em algum ambiente virtual. Este novo veículo de “encontro”, debates e compartilhamento de ideias chegou para quebrar os elos mentirosos que unem as algemas que nos prendem a manipulação explícita e, também, desconstruir “verdades”. As redes sociais são rizomas que se espalham, ligam e nos une. Une pessoas e culturas que jamais se encontrariam em um mundo físico, devido a todas as barreiras geográficas. Une também amigos próximos e distantes. Mas acima de tudo, une ideias, induz ao diálogo, promove discussões, produz conhecimento e saber.

Há uma geração que nasceu, cresceu envolvida e ligada a essas redes, ainda se adequando a este mundo "líquido", por um lado é um espaço de exposição pessoal e narcisismo sem precedentes, mas também é um veículo maravilhoso de encontro e discussão de muitos jovens que incomodados com tanta "liquidez" começaram a ocupar os espaços, não apenas os espaços virtuais. Jovens que querem ser protagonistas de sua história, transgressores, porque simplesmente se recusam a aceitar desmandos impostos, como algo pronto e acabado.

Por incrível que possa parecer, jovens aspirantes a médicos que estudam na UNIFAI – chamados por muito de elite pretensiosa e desconectados da sociedade -, estão nos dando uma lição de cidadania. Em um mundo onde o jovem é estimulado a competir e parecer ser o que não é, os alunos de medicina estão no ensinando o sentido do companheirismo, solidariedade, cooperação e juntos estão lutando por um curso de Medicine de excelência. Curso de medicina em uma pequena cidade do interior de São Paulo que os formem, não apenas em futuros médicos ricos, mas acima de tudo, seres humanos preocupados com o próximo. O exemplo vindo dos alunos de medicina deveria contagiar a todos nós, pois afinal, eles poderiam se calar, aceitar o que está posto, se formar, fazer residência em algum lugar, e abrir suas clínicas e medicar, sem nem mais lembrar da UniFAI ou de Adamantina. Mas a luta desses alunos é muito maior!

Eles querem ser formados por professores doutores médicos, e outros profissionais da saúde gabaritados, professores que sejam capazes de motiva-los além do conteúdo, afinal, professores doutores ao menos deveriam ser filósofos e ensinar muito mais do que conteúdo, mas inspirar toda uma geração. Que suas aulas sejam baseadas em conteúdos que convidem os alunos pensar, refletir, problematizar, e agir para modificar a saúde desse país, a vida de seres humanos, mais do que médicos, mais do que médicos humanizados, mas cidadão preocupados em mudar a realidade de sua cidade, região e país.

Os alunos da medicina UniFai se uniram para proteger o seu curso de medicina. Este movimento nos mostrou o quanto a UniFai e a cidade de Adamantina representa, é fundamental e importante na vida desses jovens. Eles mostraram a todos nós que podem mais, que querem mais, se recusam a receber migalhas e querem ser protagonistas de sua história. Quando ocuparam um espaço, que é deles, rasgaram o estereótipo de jovens alienados, metidos e 'riquinhos' e, nos ensinaram uma lição de pertencimento, força e empoderamento. 

Em um texto recente eu questionei por onde andaria a inteligência de nossa cidade, que parou no tempo, talvez essa inteligência viva de forma latente na UniFai.

Afinal, Adamantina é conservadora, no sentido de conservar, manter as “coisas” do jeito que sempre foram, o que ilustra a estagnação da cidade. Adamantina vive como há décadas atrás, com uma política voltada para dentro, baseada na antiga e ultrapassada governança provinciana que privilegia grupos em detrimento de visões mais amplas de administração e constituição de políticas públicas. Urge quebrar estes paradigmas arcaicos e conceber uma cidade baseada na constituição de oportunidades de bons empregos, salários, qualidade de vida e sustentabilidade. 

E os Jovens que buscam a sua formação universitária em nossa cidade, se formados em um centro de excelência, tenderão a quebrar a inércia e questionar o que está posto há décadas como imutável, pois têm novas idéias, cultura e novas concepções de vida e de mundo que se chocam com o que está estabelecido. Esses jovens não estão habituados a temer, aceitar ou até mesmo serem coniventes com os retrógrados e ditatoriais “centros de poder”. Questionarão os desmandos, porque não foram doutrinados a respeitar sobrenomes e nomes, mesmo porque, para os que de fora vieram, esses nomes e sobrenomes não tem o menor significado! Eles sabem dar valor, o valor que as coisas têm, e o valor está na capacidade, no conhecimento, na correção e probidade da mulher e do homem público, aqueles que trabalham para o bem comum, daqueles que servem o público, não daqueles que se servem do que é público, não em um sobrenome, ou no nome do poder da vez!

Estes alunos da UniFai são muito bem vindos para renovar os ares “já carregados” que por estas bandas sopram. E os alunos da medicina já se mostraram participativos, críticos, engajados na busca de soluções para seus problemas, que na realidade é problema de todos nós. E que os alunos dos demais cursos, contribuam para a construção de uma Adamantina menos retrógrada, mas sim, mais “inteligente”, humana e sustentável,longe do poder de coronéis, antigos ou novos.

Cabe ressaltar que a UniFai cumprirá seu papel, como formadora de inteligência e propositora de planejamento e ações, se realmente se transformar em um centro universitário, em sua essência, baseado nas premissas: ensino, pesquisa e extensão, com forte atuação cidadã no meio, com o intuito de contribuir, com inteligência e ação, para a resolução dos problemas socioambientais, de saúde pública, socioeconômicos, entre tantos outros vividos em nossa cidade e região. Mas isso apenas acontecerá se a UniFai for um centro de excelência, não um lugar de mandos, desmandos e feudos de alguns.

Por essas e outras, é inadmissível que o centro, que ao menos em teoria, concentra a inteligência de nossa cidade, compactue com o Nepotismo,  afastamento unilateral de professores, como no caso do professor Cezar da medicina. E senhores vereadores, há a necessidade de que todos os cochichos e buchichos sejam investigados.

Não apenas os alunos de medicina da UniFai, mas por onde andarão os alunos do direito diante da acusação de nepotismo? Ou o DCE? É hora desses alunos mostrarem a que vieram, precisamos desesperadamente e com urgência da participação dessa moçada - de todos os cursos -, de sua vontade de mudar o que está posto e estabelecido, precisamos de exemplos e ação. Que esses exemplos contagiem os funcionários da prefeitura, que acabaram de perder as bolsas de estudo na UniFai, ou os agentes de saúde, que mesmo com ordem judicial, assistiram a prefeitura não cumprir a determinação do piso salarial, tudo em silêncio. O que mais é necessário para despertar a nossa população? É hora do basta! Estamos cansados de tantos desmandos, de má gestão dos sistemas públicos e corrupção em nosso país, mas se não mudarmos nossa cidade, jamais mudares a realidade desse Brasil!

A UniFai, enquanto centro universitário, precisa assumir o seu papel diante da sociedade, e ser cobrada por todos nós, afinal, a UniFAI é uma autarquia municipal, não um “ente” desassociado de nossa realidade. Os profissionais ligados a ela devem assumir sua responsabilidade cidadã. Portanto, é função desse Centro Universitário problematizar, criticar e propor projetos e ações no que tange os sistemas ambiental, cultural, político, social e econômico de nossa cidade, através de trabalhos de graduação, projetos de pós-graduação, projetos de pesquisa e extensão, de parcerias criadas com a prefeitura e com os diversos setores da sociedade civil e ser a primeira a colocar nossa cidade no primeiro mundo. Adamantina tem potencial para ser referência, não apenas para a região, mas para o estado e país, mas para tanto precisamos dar uma basta em grupos que agem em benefício próprio e trabalharmos em conjunto, para o bem estar de nossa população!






domingo, fevereiro 04, 2018

Por que os alunos de medicina são contrários a nomeação da nova Chefe de Departamento de Medicina da UniFai?

Ontem, creio que muitos foram surpreendidos com uma mensagem que chegou via WhatsApp, no Facebook, e depois até no grupo Siga Mais foi postado, em um comentário. O título da mensagem era “Nota de repúdio contra a nomeação para Chefe de Departamento de Medicina da UniFai”, uma petição criada pelos alunos de Medicina da Instituição, que já conta com 277 assinatura de alunos. Eu logo imaginei que estava ligado ao grau de parentesco de dois diretores, pois muito se discutiu sobre isso quando a notícia da nomeação foi divulgada, primeiro pelo Portal Siga Mais, e depois pelo Site do Jornal Impacto, falava-se em Nepotismo Cruzado.

De acordo com a Súmula Vinculante 13 de 2010 (Supremo Tribunal Federal)[1], “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal”.

Mas não, ao ler a petição vi que o argumento era outro, pois segundo a Petição a “Lei 12.842/2013 - Dispõe sobre o exercício da Medicina. Art. 5º São privativos de médico: IV - coordenação dos cursos de graduação em Medicina, dos programas de residência médica e dos cursos de pós-graduação específicos para médicos.” 

Se esses dois pontos são verdadeiros, primeiro: a nomeação de parentes, e segundo: apenas médicos podem assumir o cargo de coordenação dos cursos de graduação de Medicina, a nomeação da nova Chefe de Departamento de Medicina da UniFai é equivocada, ao quadrado! A pergunta que faço é: “sabedores desses dois ‘se nãos’, por que o nome foi escolhido e aprovado?” Afinal, alguém escolheu o nome e “alguéns” aprovou? Não houve consulta prévia da assessoria jurídica? E cabe ressaltar que a nomeação foi aprovado por todo o Conselho da UniFai[2], que é “o órgão superior competente para decidir sobre todos os assuntos afetos à Instituição, nos termos do Regimento Interno, constituído por: Reitor; Vice-Reitor; Pró-Reitores; Por representantes do Corpo Docente permanente; Pelos Chefes de Departamento; o3 (três) representantes do Corpo Discente; 02 (dois) representantes dos funcionários Técnico-Administrativos; 01 representante da Comunidade, preferencialmente com diploma de curso superior, proposto pelo Reitor, referendado por este Conselho; 01 representante da Comunidade.

O nome foi aprovado com apenas um voto contrário, de Jean Moura, que publicou em um comentário no Site Siga Mais “Na última terça feira, 30/1, aconteceu a primeira reunião do CONSU, na ocasião o Reitor fez a indicação do novo pro reitor da instituição, eu fui contra a indicação do mesmo, mas fui voto vencido, (registrado em Ata), dias depois saiu a nomeação”.

Nenhum órgão de imprensa divulgou ou noticiou as “peculiaridades” e “particularidades” desse processo, a instituição é uma Autarquia Municipal e eventos como esse devem ser, não apenas amplamente divulgados, mas também esmiuçados. Mas como estamos na era das redes sociais, de uma forma ou outra as luzes são postas contra sombra e iluminam os personagens e as decisões.

Os alunos de Medicina da UniFai pagam mensalmente, agora com o novo reajuste, 7.444, 00 reais. Se engana quem acredita que é composto por milionários filhinhos de papai, tem gente dando MUITO duro para pagar essas mensalidades, muito duro, mesmo! Há além disso, para os alunos de fora, despesas com aluguel, alimentação, transporte, entre tantas outras. São famílias inteiras que acreditaram nesse curso, estão fazendo sacrifícios e das tripas coração para verem seus filhos formados, mas qual será o custo? O que leva alunos de um curso escreverem uma petição tão dura como esta, cobrando respeito?

Creio que todos nós nos entusiasmamos com o curso da medicina UniFAI, pois poderá contribuir, juntamente com outras medidas e ações, para revolucionar o atendimento de pacientes que precisam de atenção de um generalista, de um especialista. Imaginem, não mais ter que acordar às 3 da manhã, e doente, ter que se deslocar para Marília, jaú ou Tupã em busca de especialistas e tratamento adequado, mas contarmos com atendimento público e de qualidade aqui em Adamantina! Graças a toda uma integração que surgirá (ou surgiria em um mundo ideal), entre enfermeiros, psicólogos, dentistas, agentes de saúde, trabalhando de forma conjunta, visando acima de tudo, a prevenção de doenças, aqui em nossa cidade!

Conhecemos a precariedade e sucateamento de nosso sistema único de saúde - em nosso país, em nosso estado, em nossa cidade - que em muitos casos é mal gerido, sucateado e palco de muita ineficiência, incompetência e maracutaias, mas lutando contra este nefasto sistema podemos encontrar muitos profissionais da saúde que lutam bravamente para, ao menos, dar dignidade para seus pacientes diante de um cenário de gestão tão devastador.

Sim, há médicos excelentes, humanos, competentes e bravos que lutam com todas as suas forças para formar novos alunos, e que se colocam contra este sistema nefasto do favorecimento pessoal em detrimento da competência, da produção da doença, mercantilização e desumanização de nosso sistema de saúde. Essa deveria, ao menos em tese, ser a premissa básica na formação dos médicos em Adamantina, o primeiro passo para uma revolução no sistema de saúde da cidade, mas acima de tudo, na formação de seres humanos!
Mas como esse processo será desencadeado, se os escolhidos para comandar essa importante revolução são questionados de forma tão incisiva e dura?

Como atrair professores dispostos a acreditar, se entregar e se dedicar de forma integral a um projeto em quem nem os alunos acreditam, basta analisar essa petição. Apenas salário não atrai bons professores, mas também boa estrutura, credibilidade do projeto e nos gestores.

Precisamos atrair esses professores, que estão em falta no “mercado”. Pois quando esse projeto – abertura de novos cursos de medicina - foi criado, ele gerou muita polêmica entre os profissionais da saúde, pois segundo eles, de onde sairiam professores para ministrar as aulas em tantos cursos de medicina criados em pequenas cidades do interior? É importante frisar que um médico, necessariamente não é um professor e que professores de medicina estão em falta no “mercado”.

E a polêmica sobre a qualidade desses novos cursos continua, tanto que não serão mais aprovados novos cursos de medicina pelo MEC, e um dos motivos é esse, segundo o Portal Nexo[3]a criação de novos cursos, principalmente por faculdades privadas, se dá por instituições e em cidades com estrutura aquém da considerada adequada. “A medicina se tornou um curso com alto grau de tecnologia. Então você precisa de um pessoal extremamente competente para ministrar as aulas e não há esse número de professores competentes hoje” e eu acrescento, não apenas professores competentes, mas acima de tudo, a direção precisa ser competente e ter legitimidade e credibilidade.

Uma correção (05 de fevereiro de 2018, 14h 52 min.): o nome da nova Chefe de Departamento de Medicina da UniFai não foi votado pelo Conselho Universitário, mas indicado pelo Pró-Reitor de Ensino e nomeado diretamente pelo Reitor - sem votação -, prerrogativa que "seria" contemplada pelo regimento. Mas segundo o vereador Alcio Ikeda "'Os chefes dos 'deptos' de Ciências biológicas da saúde, de (...) E DE MEDICINA, serão indicados pelo Pró-Reitor de Ensino e nomeados pelo Reitor (...), OBSERVANDO-SE AS RESPECTIVAS ÁREAS DO CONHECIMENTO'. Sou vereador, responsável pela elaboração da lei e digo que essa inclusão na lei se deu por conta da Câmara, ou seja, os Vereadores propuseram estreitar as possibilidades para que nomeações do tipo fossem de acordo com a lei federal.  Com isso, digo e afirmo que o 'Espirito da Lei' Municipal e entendo que o da lei federal é assegurar ao curso de medicina a direção do profissional médico".









[1] http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menusumario.asp?sumula=1227
[2] http://www.fai.com.br/portal/index.php?conteudo=info&cod_item=47

domingo, janeiro 14, 2018

Por favor, não sejam subservientes a qualquer autoridade política

Passou da hora de termos uma conversa franca sobre o deplorável estado financeiro, administrativo e político da cidade de Adamantina, suas causas e consequências, e a apatia da sociedade. 

Muitos temem a crítica, pelo simples fato de não saber fazê-la e também porque ela pode despertar uma população anestesiada, adormecida. Nossa sociedade desde sempre é “ensinada”, na realidade, doutrinada a manter tudo como está. 

É artigo em falta “no mercado”, grupos pensantes, capazes de usar seu “poder” para informar, democratizar a informação e, assim, quebrar o poder determinístico das ditas “elites” políticas, social ou econômica. 

Eu acredito que todos nós somos capazes de compreender qualquer tipo de informação, qualquer uma, não importa a escolaridade, mas sim, se essa informação, de alguma forma, faça conexão e associação a nossas histórias de vida, porque enxergamos o mundo através de nossas experiências. A gente compreende associando as novas idéias ao que foi vivido por nós.

Dito isso, acredito que todos nesse grupo – Adamantina Siga Mias - são capazes de compreender qualquer tipo de informação, e através delas repensar sobre sua vida, refazer seu pensamento, criando novos significados. Pergunto, por que nossa cidade, estado e país patinam há décadas? Porque não nos é dado esse tipo de informação, na realidade eles não querem nos informar mas sim (des)informar, como a ponta de um iceberg, nos é mostrado apenas os 10% que é possível de ser visto na superfície, mas é escondido os 90% que estão abaixo da linha d’água. Porque nossas escolas de base são, a cada ano que passa, uma granja para criar cérebros incapazes de dar contexto a realidade?

Adamantina é um grande exemplo disso tudo, e devemos muda-la se quisermos mudar nosso estado e país. A começar por prefeitos, vereadores e deputados.

O que não faltou nesse grupo foram notícias de “feitos” de deputados, como ambulâncias, equipamentos para o hospital, um dinheirinho para tapar buracos das ruas. Dinheiro bem-vindo? Sim, sempre bem-vindo, mas é uma fonte de recursos que precisa ser entendida para que a gente não mais reproduza esse mórbido sistema de devastação de nossa região. Só mudaremos o estado de coisas em que vivemos se mudarmos nossa forma de encarar e compreender a política praticada por nossos partidos políticos e políticos.

Precisamos fazer perguntas, essas emendas parlamentares que chegaram na cidade, por exemplo, para a saúde, até que ponto elas contribuirão para mudar a dura realidade que vivemos, com os profissionais da saúde trabalhando e se esforçando, em muitos casos, além de seus limites físicos e psicológicos e extremamente sobrecarregados? Essas emendas parlamentares foram planejadas, ou são do tipo “tenho aqui um milhão de reais – o que não é dito: que recebi do governo federal por ter votado contrário as duas abertura de inquérito contra Temer e a favor da reforma trabalhista e da PEC 241, PEC que congelará investimentos no país por 20 anos, congelará sim, por mais que muitos digam o contrário – coloco esse dinheiro onde”?

Com isso a cidade ganha umas benesses aqui, mas perderá muito no macro. É importante entendermos que os municípios são a base de sustentação para deputados, e que precisamos escolher políticos que atuarão de forma efetiva na cidade e região, através de planejamento em curto, médio e longo prazos e isso nãos e faz de forma isolada, não são os deputados de Tupã ou Dracena atuando por Tupã ou Dracena, ou mesmo dividindo o quinhão de suas emendas parlamentares entre pequenas cidades de nossa região que mudarão realidade de nossa cidade e região, não, dessa forma, sem planejamento? Não!

Esse é o modo de operar desses deputados por décadas e olha como se encontra nossa região, nossa cidade. Você realmente acredita que esse tipo de ação mudará nossa realidade?

Um exemplo, a notícia vinculada hoje, a devolução de 1,8 milhões que haviam sido destinadas para o prédio da Unidade de Pronto Atendimento – UPA. Segundo o prefeito esse recurso será devolvido porque o município não tem recursos para manter uma UPA e uma Santa Casa. Mas porque esse “detalhe” não foi analisado antes? Por que o executivo não desenvolveu projetos para efetivar seu funcionamento e com a ajuda de deputados não buscou viabiliza-los? Sim, buscar 6 milhões por ano para efetivar seu funcionamento e também viabilizar o funcionamento da Santa Casa. Essa é a função do executivo e também deveria ser a do legislativo, buscar recursos que viabilizem ações em médio e longo prazo, isso sim revolucionaria a saúde na cidade, não uma ambulância recebida porque o deputado votou contra a cassação do temer.

Não podemos apenas ler essa reportagem da Folha regional, baixar a cabeça e dizer, é assim mesmo, não tem dinheiro e todos os municípios são assim, isso é inadmissível, precisamos ligar os pontos, pensar e não aceitar mais essa forma de administrar uma cidade.
Segundo a Folha Regional

Depois de afirmar por várias vezes durante o ano de 2017 que colocaria a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Adamantina em funcionamento a partir do primeiro semestre deste ano (2018), a Administração Municipal decidiu agora devolver o dinheiro investido pelo Governo federal, nada menos que cerca de R$ 1,8 milhões, na construção do prédio. A atitude foi anunciada à imprensa pelo próprio prefeito Márcio Cardim (DEM.O processo de ressarcimento da expressiva quantia aos cofres federais será feito Departamento Jurídico da Prefeitura, que deverá estudar qual a melhor forma.Como contrapartida, o chefe do executivo pondera que o prédio – que teve a construção iniciada em maio de 2011 e deveria ter sido entregue em janeiro de 2012, porém, ficou pronto só em abril de 2017 – ficaria para uso do Município.

O que precisa ser feito? Planejar, é preciso planejar em curto, médio e longo prazos e de forma integrada, entre as secretarias de uma cidade e entre as cidades de nossa região, definir prioridades.

A saúde, precisa ser planejada para não receber apenas equipamentos aqui ou acolá, mas para reformular o sistema de saúde, para a promoção de uma gestão eficiente e humana, mas para isso tem que haver planejamento.

Nossos secretários atuam como burocratas que administram os problemas, mas não são a solução para eles, não há a constituição de projetos inovadores e integrados, e para isso nem sempre a falta de dinheiro é problema, o problema está na falta de expertise de quem deveria comandar a pasta.

Nos acostumamos a bater palma para político que não faz nada mais do que sua obrigação, que é zelar pela cidade, mas nem isso fazem, argumentam que não há recursos, mas sabemos que se há recursos para pagar salários em dia, então já há recursos suficientes para criar e inovar, e buscar soluções. A solução está na capacidade e inovação de quem ocupa cargo público, ao menos deveria estar.

O problema dos animais abandonados em adamantina, que é assunto recorrente nesse grupo, mostra a ineficácia das autoridades locais para buscarem respostas para o problema. Há uma faculdade na cidade, uma autarquia, que tem cursos de comunicação, veterinária, biologia, entre outros, há na cidade uma secretaria de meio ambiente, saúde, de planejamento, obras, e também um grupo que deveria, ao menos em teoria, controlar os vetores.

Na realidade esse problema vai muito além da castração e a chave para a solução é a guarda responsável, informação... E a guarda responsável é uma das categorias da diretiva - Biodiversidade - para a certificação de  Município Verde e Azul.

BIO3 - Ação no verde Azul voltada para a guarda responsável de cães e gatos.

A castração e guarda responsável são ações que devem se apoiar uma na outra, para que sejam profícuas e alcancem resultados em curto e médio prazos. Apenas a castração seria um "desperdício" de energia e recursos, pois o problema retornará mais cedo ou mais tarde. O que é necessário para efetivar as duas ações de forma integrada é: projeto e planejamento. Ou seja, é um caso de política pública, e quem são os responsáveis por criar, planejar e executar políticas públicas? O executivo, prefeitos e secretários...

Não caio no conto da recuperação desse Selo de Município Verde e Azul, e o descaso para com esse tema, animais abandonados, exemplifica meu ceticismo!

Mas absolutamente nada de efetivo e integrado surge desses grupos, nada, como se o problema não tivesse solução, mas tem sim, basta vontade política, planejamento e ação integrada, e não me venham com o quesito recurso, porque para colocar em prática muitas ações que contribuíram para solucionar o problema, bastaria apenas expertise, ações integradas entre secretarias e motivação dos funcionários. A expertise, ao menos no mundo ideal, deveria ser o pré-requisito básico para a escolha de secretários.

Não podemos mais aceitar, em hipótese algum, migalhas, sim, são migalhas o que recebemos de deputados, do governador..., por mais que muitos nos queiram fazer acreditar que não são.

Se quisermos mudar a nossa realidade precisamos renovar a nossa forma de pensar, inovar, e renovar nossos grupos políticos que se sucedem no poder prometendo o que são incapazes de cumprir. Como disse Albert Einstein: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

Se jogarmos luzes nestes fatos já teremos grandes indícios do porque a cidade patina, devido à grande dependência financeira da prefeitura, que não funciona como um polo irradiador de novidades, empreendedorismo, ações de fomento para o desenvolvimento da cidade, mas sim, como uma mãe provedora. Mas como prover uma cidade sem dinheiro?, afinal a prefeitura está à mingua! Isso faz com que a gestão da cidade viva um nefasto ciclo vicioso, retroalimentando dependências, dando suporte a aparências. Onde a perfumaria ganha destaque, em detrimento do que realmente interessa, o bem estar da população. 

Infelizmente os moradores da cidade não conseguem entender o que é atribuição da federação, estados e municípios, esta confusão de atribuições faz com que a comunidade não consiga atribuir responsabilidades, dessa forma sua indignação passa a ser difusa, uma vez difusa, não há um alvo, o que torna a vida dos agentes públicos de Adamantina muito fácil.

A pressão precisa ser feita no local, onde os vereadores e agentes públicos são vistos todos os dias nas ruas, pois neles temos ascendência, se não mudar a compreensão do cidadão sobre esta apropriação da prefeitura por grupos que se sucedem no poder, jamais mudaremos o país. 

Precisamos mudar, entender que somos capazes de compreender todo o contexto que nos envolve, pensar, discutir, debater, criar, e não importa se você se considera de direita ou de esquerda, se quer estado mínimo ou máximo, importa atuar e não deixar se intimidar por pretensas autoridades e saberes, porque dessa forma nada mudará. E por favor, não venham com “as outras cidades também estão assim”, pois elas são tão mal administradas como a nossa.

Escrevendo certo ou errado, falando certo ou errado, o que importa é a interpretação que você fará da realidade, e que te levará a não mais aceitar migalhas, que na realidade apenas mantém tudo do mesmo jeito que sempre foi. Os grupos que se sucedem no poder não serão a fonte de mudança, então que essa mudança venha através de nós, “eles” querendo ou não.

E por favor, não sejam subservientes a qualquer autoridade política como se fossem seres superiores e não o que realmente são, agentes públicos que ocupam cargos públicos para servir a população, e não se servir da população.



Fonte: Roseli Biasi - https://www.facebook.com/groups/Adamantina/permalink/1637681242985136/