sábado, junho 03, 2017

O escândalo do roubo do HD com os Trabalhos de Graduação!

Este não é um conto policial de ficção, é baseado em Fatos Reais. A propósito, sim, é mais uma ‘doidera’ desse povo que viveu no Cassinão. 

A realidade supera a ficção, a vida pode ser tão surreal, tão bizarra que parece um conto, de muito mau gosto, inventado por uma mente delirante. Quando ouvi pela primeira vez esta história eu não acreditei, até que ouvi da boca das próprias vítimas, e claro, como participante da "comunidade", fui testemunha das consequências....

Final de ano, quando o sol começa a ganhar força, os dias ficavam mais longos no Cassino e a praia se insinua para fantasmas mofados, nós, os sobreviventes do longo inverno. Mofo e branco, que tende ao transparente, são os efeitos colaterais sentidos por todos os valentes moradores do Cassino. Quando a primavera começa a ganhar força, mesmo ainda estando um pouco frio, os fantasminhas camaradas se esforçam para perder esta coloração de quase mofo verde esbranquiçado. Mas como ainda é primavera e predomina aquele vento (quase ciclone) na praia, cada um usa de seus métodos para "fixar cálcio", um deles é tomar sol em quintais com muros altos que nos protegem do vento frio.

Em um desses dias de sol, a Mareska e a Marieta, sua amiga inseparável decidiram pegar uma corzinha. As duas eram muito amigas, como irmãs, e sempre faziam programas juntas, sempre acompanhadas dos respectivos namorados. Os casais tinham uma relação de quase irmandade, como se não bastasse a proximidade afetiva, viviam também, no mesmo prédio e no mesmo andar.

Naquele dia a Marieta insistiu para que a Mareska deixasse um pouco o trabalho de graduação de lado e aproveitasse aquele lindo dia de sol. A Mareska resistiu, pois estava com o prazo apertado e precisava concluir a monografia, mas não resistiu aos apelos da amiga e resolveu aproveitar aquele lindo dia de sol. Os namorados estavam na faculdade, todos também em época de conclusão de TCC.

Ao voltar pra casa, depois de certo tempo, a Mareska notou que haviam mexido em seu computador, sem entender muito o que tinha acontecido, se deu conta que haviam retirado o HD. Entrou em pânico, pois todo o seu TCC e do namorado estavam gravados nele, e como desgraça pouca é bobagem, eles não tinham backup, claro! nestas horas quem tem? Naquela época não havia CD e muito menos pen drive, que dirá HD externo. A gravação era feita disquete mesmo, que não cabia nada. 

Todo o trabalho do ano havia desaparecido!

Quando seu namorado chegou o pânico se intensificou e se multiplicou por dois, pois o trabalho dele também estava no HD. Os amigos irmãos, os vizinhos solidários sofriam juntos, tentando buscar uma resposta. Por que alguém entraria no apartamento e roubaria apenas o HD? Será que os professores acreditariam nessa história, ou imaginariam que era algo inventado pelos dois para ludibriar o sistema e ganhar mais tempo para a entrega do TCC?

A polícia foi chamada e abriu investigação. Mas nada, nenhuma pista. 

Mas como a estupidez humana não têm limites, o tal ladrão tentou sondar na universidade como formatar e vender HD. A partir deste movimento descuidado, brotou uma forte suspeita de quem teria sido o larápio, que de tão descuidado acabou trocando os pés pelas mãos, pois não conseguir ficar calado e tentar obter informações, vejam vocês, no lugar errado. O gatuno foi assuntar sobre o tema justamente na FURG – como se alunos da Oceano não vivessem em “rede”, e a FURG e a Oceanologia não fossem um ovo, um lugar onde todos sabiam absolutamente tudo o que se passava.

Para choque de todos, descobriu-se que o tal ladrão era do curso de Oceanologia e não um batedor de carteiras do Cassino.

O tal larápio, confrontado com as evidências e indícios, não teve alternativa a não ser confessar o crime. Na realidade o roubo não foi um trabalho solo, mas sim, de uma dupla. Trabalho arquitetado e colocado em execução por um casal que morava no apartamento ao lado das vitimas. 

Pois sim, meu caros, os ladrões desmascarados eram, nada mais nada menos, que o tal casal irmão e inseparável da dupla de vitimas. A insistência para que Mareska saísse de casa para tomar sol foi a artimanha encontrada pelo casal de larápios para deixar o caminho livre para que o Barnes, o namorado da Marieta, entrasse no apartamento e fizesse o serviço sujo. 

Imaginem o escândalo quando a história veio a tona!

A motivação ficou a cargo da imaginação da sociedade oceanológica estupefata. Ciúmes? Raiva? Inveja? Pura Maldade? O casal desmascarado não teve mais clima para viver no Cassino e muito menos continuar na faculdade. Foram embora e nunca mais ouvi falar deles. Mas deixaram esta história surreal para trás, para ser contada e a cada ano que passa parecer inverídica, e, aos poucos, virar mais uma lenda urbana na terra açoitada pelas intempéries do vento sul.


Junho! Festa Junina!? Também, mas junho é o mês dos Oceanos, logo, nosso!


Já que entramos em junho nada mais natural do que festejar... não, não estou me referindo as festas juninas, que cá entre nós, são lindas!!! Mas a real me refiro aos oceanos, dia 8 é o dia mundial deles, e com eles, vêm os oceanautas, a galerinha das praias, dos mares...! Dia 8 também comemoramos o dia do oceanólogo, quer dizer, do oceanógrafo/logo. 

Lembro-me de uma palestra... o orador aconselhou a nós, Oceanólogos, a esconder nossa origem “logo” e passar a assinar “grafo”. Heresia!, em nosso quintal, na nossa casa o cara teve a pachorra de aconselhar que renegássemos nossos “nomes”, logo pra quem! Deu vontade de larga-lo na ponta dos molhes em um dia de formação de frente fria, no ápice do inverno...

Uma amiga do Rio certa vez disse que eu, com esta conversinha de ser oceanóloga e da FURG, que eu era muito presunçosa, isso até que conheceu uma porção de “filhas” da FURG e disse alarmada

- Meu Deus, pensei que fosse a Bel, mas vocês são todas iguais!!!

E orgulhosamente respondemos que sim, que somos da FURG, e desfiamos todo o rosário de autoelogios que ser oceanóloga da FURG comporta! Ainda mais quando nos encontramos em algum lugar desse país, longe de “casa”. Não é presunção, muito menos arrogância cientifica, é amor e, claro, consciência de quem somos e como nos formamos, oras, somos forjados pelas intempéries do vento sul e pelas frentes frias, tu achas que nos curvaremos diante das exigências desse “mundo”! Não, apenas e tão somente para o vento sul e as frentes!

Falar mal dos oceanólogos formados na FURG, só a gente pode!, pois é que nem família. Mas pode ficar tranquilo porque a gente dá conta de avacalhar! Melhores críticos certamente não haverá! A gente conhece nossa casa e nossa gente, e que há tanta coisa para arrumar, mas querer tirar da gente a nossa identidade, aí já é querer demais. O mercado que se acostume, na real ele já sabe, que se tem logo no final, é a galera do sul e neste povo ele pode apostar e confiar!

Tudo bem que horrorizamos por muito tempo a sociedade riograndina, mas que graça haveria se assim não fosse?

Falar o que dos oceanólogos com os cabelos compridos dos meninos e o “desleixo” das meninas em se vestir. Longe de querer estereotipar e impor um padrão estético, mas naqueles tempos era assim, mesmo porque... pensa, Cassino no tempo do “nada”...

Tempo em que o hippie não estava mais na "moda", era `retro’ demais para o gosto da sociedade "moderna" - que já havia deixado de lado a paz e o amor da geração dos anos 70 e se dedicava a ganhar dinheiro e ascender socialmente comprando tudo o que o dinheiro fosse capaz de comprar . Aquele 'papo furado' hippie havia ficado para trás e, qualquer um que ousasse manter, em seu estilo no seu dia-a-dia, um pouco da "paz e amor" já era tachado por esta sociedade emergente como desocupado, drogado, sujinho, fracassado, e o que mais de ruim pudesse caracterizar algumas pessoas que mantinham uma “contramola que resiste”.

Imaginem o horror para a sociedade riograndina, um "bando" de "hippies" vivendo no Cassino!!

Mas cabe uma ressalva, os estudantes de oceanologia não eram hippies, apenas mantinham em suas vidas, algumas características desse tempo, em sua forma de agir e vestir, afinal de contas a vida simples do Cassino propiciava que cada um, de uma forma muito pessoal, passasse a valorizar suas relações pessoais, deixando de lado, as tais exigências da etiqueta prevista no caderninho de bons modos vigentes nesta tal "sociedade moderna". Claro que este choque entre culturas fez com que os alunos de Oceanologia fossem tachados de hippies. Só lembrar que Rio Grande sempre foi uma cidade extremamente conservadora, Rio Grande foi pró império, gente!

Além dos modelitos, dos cabelões e do tal "jeito livre", os alunos de Oceano insistiam em usar os tais chinelos havaianas, aqueles havaianas antigões, sabe como eram? De sola branca e de tiras amarelas, pretas ou azul calcinha. Era a reunião da pura fina flor da "chinelagem", para os riograndinos, claro! Mas quer saber? Gente a frente do seu tempo é assim mesmo, incompreendidos! Lançamos tendência mundial ô! muito antes de virar moda!!!

No Cassino, na oceano, parecia que eu estava entrando e vivendo num mundo paralelo e, que para mim era algo fantástico!

Era impressionante e ao mesmo tempo comum a simplicidade daquilo tudo. Lembro-me perfeitamente, como se estivesse registrado em uma película, a minha sensação nos primeiros dias, semanas, meses, de viver no Cassino e conhecer aquelas pessoas. Sabe a sensação de quando você entra em um lugar cheio de gente que você não conhece, mas se sente extremamente acolhido e, que de alguma forma, você sempre fez parte daquilo tudo!? Isso é raro, mas foi exatamente isso que senti, como se sempre eu tivesse pertencido à aquele lugar.

Creio que este acolhimento é uma das coisas mais marcantes dessa relação peculiar propiciada pela Oceanologia e o Cassino, que marca/ou profundamente os que lá viveram, que fizeram parte dessa tribo. Uma tribo que muito tempo foi caracterizada como “tão estranha aos olhos dos outros”, mas que para os que faziam parte dela, era tão simples e normal.

No Cassino se junta: professores, doutorandos, mestrandos, alunos de graduação, vindo de tudo o que a canto desse país e desse mundão, vivendo apartado, ou junto e misturado, neste lugar, favorecendo, assim, a formação de uma unidade. Este grupo convive muito junto, vive em constante interação, não apenas pessoal, mas também acadêmica. Em qualquer lugar de encontro haverá compartilhamento de ideia sobre o que cada um está fazendo, e isso favorece uma troca muito profícua e, estimula, muito, a tal interdisciplinaridade que é o oxigênio, fundamental para um Oceanólogo.

Tudo isso faz com que se viva Oceanologia em todos os lugares. O estilo roots nos leva a não ter frescuras, que boa parte da galera esteja disposta as mais índias das saídas de campo, o que nos leva a um jogo de cintura e maturidade cientifica ímpar e precoce. Além disso, a multidisciplinaridade da Oceanologia e, o convívio próximo com os amigos das mais diversas áreas e agregados de outras profissões, contribui na construção teórica, que vai além dos livros. Isso tudo colabora e muito para a qualidade do curso, que em minha opinião, está e é DIRETAMENTE relacionada ao estilo de vida dos seus alunos.

E do nada vem um “Zé Mané” aconselhar a todos nós a esconder nossa origem? Sinto muito meu caro, creio que ninguém está disposto a rasgar a nossa história! A gente se orgulha dela, bem gaúchos!




Doria, O Gestor!

Estava matutando, cá com meus botões, sobre: generalizações!, e como elas servem a tudo, menos a humanidade. As generalizações nos transformam em máquinas programadas para ver a superfície, não nos dá profundidade. A generalização apaga ou borra em nós qualquer possibilidade de reflexão, problematização e mudança. Toda generalização é burra!? Sim é burra, mas mais do que isso, além de emburrecer, nos embrutece, porque tira de nós a capacidade de compreender e sentir, não apenas o outro, mas também tudo o que nos envolve, a complexidade do que nos cerca. 

Tudo isso por causa do tal Doria. Taí um fenômeno que mereceria um estudo de caso, o “gestor”, que ou você ama ou odeia, não há meio termo no que tange, João Doria. O até então conhecido frequentador das rodas sociais de SP, o ricaço, o apresentador de tv que fazia cosplay do Trump, foi lançado e “vendido” como um grande gestor, uma espécie de anti-político. Como, o até então riquinho, se transformou em um grande gestor, isso os marqueteiros poderão explicar, afinal, se especializaram em criar e vender um político disfarçado de produto. “Especiaria” que venha ao encontro das “necessidades” do consumidor. Sim, passamos a consumir a imagem criada para os políticos, que são “vendidos” no varejo. Dilma é a maior expressão da transformação marqueteira de uma tecnocrata incompetente, que foi transformada em uma grande gestora, em um ser político palatável para o gosto do público, logo, viável para ganhar uma eleição. Dilma passou por processos de transformação não apenas físicos, mas também comportamentais para melhor se adequar ao ideal de consumo do eleitor, , desse forma, o poste de Lula ganhou vida.

E assim, também foi construída a imagem do “bom gestor”, baseada na premissa: se todo político é corrupto e incompetente, precisaremos de gestores que orbitam fora da política para resolver o problema do país. Esta lógica esconde a premissa básica de um governante, que é a promoção de políticas públicas. Mas o brasileiro nem tem idéia do que é política pública, portanto, acredita que um país pode ser gerido como uma empresa. Dessa forma, nem cabe a mão direita ou esquerda do estado, mas sim, uma gestão coorporativa do Estado! Nem para a Inglaterra esta premissa daria certo.

Doria é um Administrador de empresas, e como administrador, pensa em lucro, ou seja, cortar gastos e custos para maximizar os lucros. E com estas premissas ele chegou, chegando, cortando gastos e usando estratégias de marketing bem articuladas, como em uma boa empresa, pois precisa da publicidade para “vender” o produto. Em um país onde o estado é perdulário e a sociedade – que vive em sua zona de conforto e cuidando apenas do próprio umbigo - não entende as diferenças entre investimento e desperdício, o que é administrar e o que é promover políticas públicas, ações como a do Doria chamam a atenção e o promovem como um “grande” gestor.

Mas uma cidade não é uma empresa, ela carrega todos os todos os conflitos de uma sociedade desigualdade, muitas ações tomadas por Doria – são superficiais, mas extremamente midiáticas, quer ação mais mídiatica do que alguém fazer exames na madrugada no Sírio Libanês? Afinal, a patuleia está fazendo seus exames no hospital dos ricos, poderosos e famosos! Enquanto promove e “vende” um programa como este, deixa de lado políticas públicas efetivas para fortalecer o sistema público de saúde, o gargalo continuará o mesmo e tendendo a piorar, mas todos, por enquanto, estão felizes com o corujão da saúde.

Para nossa sociedade habituada a ler apenas manchetes, que não se aprofunda na contextualização do problema, isso tudo é lindo, “como lindo é ver o prefeito se vestir de gari”, sei lá mais do que, mas uniforme é que não falta para o Doria, e tudo isso dá a idéia de que ele é O grande gestor, O antipolítico. Porque para muitos, o que importa é uma cidade “linda”, admirar a superfície, como a galera do Rio, que por anos viveu a ilusão do Rio de Janeiro Zona Sul, e hoje teve que caír na real.

Mas, Doria, está falhando no quesito politicas públicas, que é a promoção de ações efetivas de melhor condição de vida de toda cidade, um exemplo o congelamento da tarifa de ônibus, que a primeira vista é lindo, mas congelar a tarifa e aumentar a integração prejudica o trabalhador da periferia, aquele que pega vários ônibus e metrô, o mesmo trabalhador que foi expulso do centro pela gentrificação, promovida por Haddad e Lula. Mas como assim? Com o boom da especulação imobiliária e ascensão da sociedade via consumo, Haddad foi outro que abandonou a periferia, e administrou a cidade para uma esquerda de classe média e alta, que tem sonhos de um país de primeiro mundo, mas esquece que não temos sequer saneamento básico, enquanto a esquerda se banqueteava com ciclovias e outras ações do tipo, esqueceu, junto com o prefeito, de que existe uma periferia, e que existem gargalos colossais no tange o saneamento básico, saúde, educação, transporte, não apenas em SP, mas também no estado e no país. Não há política pública! Não há!

Medidas superficiais, e o famoso “cortes de gastos”, cobram um preço extremamente alto e que é cobrado por décadas da sociedade, o Espirito Santo é o maior exemplo, o governador, até então, cantado em verso e prosa, por ter equilibrado as receitas do Estado, será o governador lembrado pela barbárie que se instalou em seu estado, simplesmente porque cortou gastos na segurança. Cortam-se gastas com segurança pública e na outra ponta não há promoção de políticas públicas, esta equação não fecha e jamais dará certo.

Uma cidade, um estado e um país não são empresas, precisam de investimento, massivos investimentos!, inteligentes investimentos!, em áreas chaves como saneamento, saúde, segurança, educação, nem que isso signifique endividamento, porque tudo seria compensado no futuro, com um país moderno, que produz tecnologia e inovação e, que oferece igualdade de acessos e direitos, que educa igualmente – respeitando as diferenças regionais e as particularidades de cada lugar -, que oferece bons empregos de excelente remuneração.

O problema é que nos endividamos enquanto nação para encher baldes furados e poços sem fundo, mantidos dessa forma por um estado corrupto, perdulário e que gere o país para maximizar lucros de quem investe nesses arcaicos políticos. A máxima é muito simples, políticos se mantêm no poder enquanto enriquecem de forma ilícita, e por outro lado, mantém os privilégios de uma classe de empresários, industriais, latifundiários, exploradores da fé humana, donos de planos de saúde, mega empresários da educação privada, e por aí vai.

Cortam-se investimentos no bem estar da população para sobrar o quinhão dos “amigos do rei”, com isso, o país estanca com os dois pés no atraso tecnológico e social, tudo isso para manter um casta de privilegiados. 

E com a aprovação da PEC 241/55, nem tem por onde este país dar certo.


Precisamos de políticos jovens e com idéias inovadoras, Doria é jovem como  Emmanuel Macron, presidente da França e Justin Trudeau, primeiro ministro do Canadá, mas está há anos luz desses estadistas, basta conhecer um pouco de política internacional e as ações e propostas desenvolvidas por Macron e Trudeau.  Trudeau já tem uma caminhada e mostrou ao mundo como montar um ministério de notáveis e que representa todo o espectro social de seu país, Macron está indo para o mesmo caminho. Enquanto estes dois jovens estadistas estão com os dois pés fincados no século XXI, Dória reproduz os movimentos arcaicos, retrógrados, até mesmo reacionários e ultrapassados dos políticos brasileiros.


sexta-feira, junho 02, 2017

Vai embora em paz! Deixa meu Kite e vai!!! Eu não chamo a polícia!!!

Sábado à tarde na canchinha atrás do Atlântico, no famoso Didião, rolava o sagrado futebolzinho da mulherada da Oceano. E eu, claro, não perdia uma.  Nestes tempos tinha tanta mulher querendo jogar que chegávamos a formar cinco times, bons e velhos tempos de destruição em massa de canelas e de violentar o futebol arte. Mas em Roma, comporte-se como os romanos, portanto, no RS jogue como os gaúchos, puro futebol força!!!

A torção do meu pé não teve nada a ver com algum contato mais ríspido, aconteceu do jeito mais triste, foi sozinha, pisei na bola ao tentar uma jogada de “pura arte” e me dei mal, meu pé virou e eu me ferrei. Na hora dói, quem torceu o pé sabe como dói, o pé incha, mas mesmos assim você quer voltar, pois acha que dá. Não deu, o pé só aumentava de largura e então tive que pegar a bike e voltar pra casa. É, de bike, você sempre acha que é menos grave do que parece. Mas não era, a coisa ficou feia.

Imobilização, anti-inflamatório, gelo, a boa e velha calminex, botinha de astronauta e perna pra cima. E assim caminhou minha recuperação.

No dia seguinte a torção, ainda com o pé imenso e mal podendo caminhar despertei com uma gritaria na sala de cima. Até me dar conta se era sonho ou realidade levou um certo tempo. 

Ouvi a Ju gritando, o quarto dela também ficava no segundo andar

- Vai embora em paz! Deixa meu Kite! Vai que eu não chamo a polícia!!!

Polícia? Embora? O que está acontecendo? Levantei num salto até me ligar do pé!! Ai que dor!! Saí do quarto e me deparei com a cena. A Ju com a porta da sala entreaberta, com uma vassoura na mão gritando com alguém lá fora. Estávamos hospedando um guri que veio fazer um curso, ele estava parado, estático no meio da sala, perplexo e mudo. 

Perguntei o que estava acontecendo. 

A Ju fechou a porta e contou que tinha saído para ir ao banheiro da rua e quando olhou pela janela viu um vulto dentro do banheiro! Havia um cara lá e ela achava que ele queria roubar as pranchas e o kite! O kite novinho dela, certo que o cara jamais sairia de lá com o kite dela! 

Eu não me meteria com a Ju!

Após os esclarecimentos, ela entreabriu novamente a porta, e voltou à “mesa de negociação”. Com a vassoura nas mãos voltou a gritar com o tal ladrão. Ela batia a vassoura no chão e gritava 

- Vai embora em paz! Deixa meu Kite e some, eu não chamo a polícia!!!
- Vai embora!!!

Se não fosse a surpresa por ter alguém estranho no meu quintal, aquela cena seria a mais hilária do planeta. A Ju com uma vassoura na mão, batendo-a no chão, irada, gritando com o cara lá fora. 
Imagina!? O kite novinho em folha dela sendo roubado, NUNCA!!!!

O homem da sala resolveu se manifestar, creio que ele estava, um tanto quanto, se sentindo menos macho com aquela cena da Ju encarando o Ladrão, mas vá lá, ela estava armada com uma vassoura e haviam duas portas entre eles.

- Eu vou lá!!!

Disse o rapaz que se encontrava no andar de cima, pois o homem fixo da casa estava dormindo calmamente no andar de baixo sem ter ouvido a gritaria (ahhh esta gente de sono pesado, mas em se tratando de Rafael Mosca...)

A Ju, em resposta, gritou enfurecida!!!
- Não!!!, você fica aqui! Não vai a lugar nenhum!!

Ele fica paralisado estático no meio da sala
Aí ela ordenou

- Bel!! Vai você! Vai lá embaixo, acorda o Rafael e liga pra polícia!

Não acreditei, olhei pra ela com aquela cara de quem não tá entendendo nada e, numa voz de quase lamento falei

- Mas Ju, eu to com o pé torcido, nem consigo andar...

Não sei se ela ter confiado esta perigosa missão à mim era um reconhecimento de minhas habilidades físicas (esquecendo minha torção), pois acreditava que quem  seria capaz de correr e ludibriar o ladrão seria eu em vez do visitante, ou ela preferia me jogar aos leões... Pois pra chegar lá embaixo eu teria que passar entre o banheiro e a sala pelo lado de fora, descer um lance de escadas, entrar na garagem e abrir a porta.

Aí alguém teve a grande idéia, pegar o celular (sempre sem crédito) ligar a cobrar pra casa e acordar o Mosca. E o telefone tocou, tocou, tocou... Na real eu não lembro se tentávamos acorda-lo desde o inicio do imbróglio ou a ideia veio depois de algum tempo, ou se a Alice acordou com a barulhada e tentou resolver a parada. 

Só que aí já era tarde, pois a Ju jamais deixaria o ladrão fugir com seu kite, saiu armada com a vassoura para encarar o tal ladrão, pois já fazia um tempo que ela não o via se movimentar, desconfiada, ela resolveu desafia-lo. 

Depois de um curto tempo eu ouvi uma sonora gargalhada e ela dizendo

- Não acredito!!! é você!? 

Sentado no cantinho do banheiro, enrolado no cobertor dos cachorros, estava o filho do nosso vizinho, que de tão bêbado errou o portão da casa dele e foi parar no nosso banheiro. O pobre não conseguia articular sequer uma palavra de tão tão cozido. 



quarta-feira, maio 31, 2017

Desventuras em série!

Mas, Bah!, ontem, ahhh... ontem, que dia bizarro, mas que começou mega bem, peguei um voo ultra tranquilo de Presidente Prudente para Campinas que chegou no horário. Estava eu em Viracopos - em uma conexão, esperando meu voo - em um recém descoberto lugarzinho, quando vi um post do Ronaldo. Nele ele reclamava do voo que insiste em pegar em Pelotas, e a Azul persiste em deixa-lo na mão, nunca há teto para a decolagem. 

Tentei argumentar, que mesmo com a ‘zica’, ainda assim estes aeroportos do interior, pra gente, são uma “mão na roda”:

- “Meu amigo, estou em Campinas – a nova ala do aeroporto ainda não havia sido inaugurada -, fazendo conexão e esperando o horário do meu voo que terá escala em Minas, o aeroporto de Confins está fechado desde cedo, e um montão de voos foram cancelados, to aqui sem saber se meu voo decolará ou não. Mas eu não reclamo muito, não, por vários motivos, o primeiro é que estou vindo de um aeroporto pequeno como o de Pelotas, que se não existisse, certamente eu amargaria 9 horas de ônibus, percurso o que foi feito em uma hora de avião. Estou no segundo andar da sala de Conexões da azul, aqui há sofás pra galera dormir, sofás macios, mesas com tomadas, tapetes no chão, quadros, e pasme, internet grátis e sem senha! estou trabalhando enquanto espero o voo, parece um escritório, silêncio e quase ninguém aqui, porque a maioria das pessoas lá embaixo não sabem da existência desse segundo piso. Mês passado, em dezembro, saí de Pelotas às 13 horas e cheguei no interior de são Paulo - e bota interior nisso - depois de troca de dois aviões às 19, imagina isso? Muito rápido! Eu sei que é um saco quando os voos são cancelados, e se o meu for cancelado eu ficarei muito puta!, mas estes pequenos aeroportos são uma mão na roda.”

Quando me levantei e fui ver, ‘qualé’ a do meu voo...?
CANCELADO!!!! 
Putaqueopariu”!!!

E lá desce eu para remarcar o voo e pegar minha mala. Onde estará minha mala? E para minha surpresa ela havia sido deixada em um canto na sala de embarque juntamente com outras, como eu demorei em descer, na realidade me ligar do cancelamento do voo, muita “água rolou” lá embaixo, e nem me dei conta.

Peguei a mala e fui remarcar o voo, quando entrei naquela sala foi a visão do inferno, simplesmente uma fila colossal, mais de 10 voos haviam sido cancelados e havia, segundo a turma da Azul, mais de 1000 pessoas para remarcar voo, juro, fiquei naquela fila 3 horas e meia. Simplesmente porque não tinha voo, a galera da azul estava mandando todo mundo para hotéis e remarcado voos para segunda, terça, quarta. Estávamos em um sábado.

Eu só pensava, em desespero controlado:

 - Vocês não estão entendendo, eu tenho que estar em Belém até amanhã ao meio dia! Não tem essa de segunda, terça ou quarta! Surpreendeu-me a tranquilidade de quem esperava para remarcar a passagem, porque todos, como eu, ficaram 3 horas e tanto na fila, ao menos a maioria, não vi gritos, bate boca, um mais exaltado aqui e outro acolá, mas de resto, todos muito calmos.

Quando chegou minha vez de ser atendida, o rapaz, depois de olhar por um tempo que pareceu eterno, para tela do computador disse:

- Tem voo para Belém só pra quarta

- Moço – disse em um tom calmo, mas ao mesmo tempo tentando mostrar a urgência do meu caso -, quarta eu não posso, tenho que estar em Belém até meio dia de amanhã, de lá vou pra outros lugares, já estou com passagens aéreas compradas, não dá, tenho que estar lá, e disse pausadamente e em um tom que pudesse tocar o rapaz.

Olhei para o crachá dele e disse

- Lucas, eu preciso chegar em Belém até amanhã às 12 horas

Meu voo deveria ter saído de campinas às 14, fazer escala em Minas, e chegar em Belém próximo às 19 horas daquele sábado.

Ele voltou a olhar para a tela daquele computador em silêncio, por uma nova eternidade ele ficou com os olhos fixos na tela em busca de alguma “luz”. Pedi que ele buscasse voos saindo de outros lugares, do Rio, de São Paulo, se ele me mandasse pra marte para fazer escala ou conexão, desde que chegasse domingo em Belém, eu iria felizona, fácil!


Mas foram 3 horas e meia em uma fila divertida e parceira... todos torcendo para que o outro conseguisse chegar em seu destino... Três horas falando de nada...

Teve tempo até para a clássica:

- Ahhh, você se formou em que?
Usualmente sai um: oceanografia, para facilitar a vida, porque até explicar que Oceanologia e Oceanografia é a “mesma” coisa... já “perdi” três voos
- Oceanografia
- Cenografia, que legal!

Ai, Jisuis! Me salva!

Depois de um tempo o Lucas voltou

- Consegui um voo para amanhã
- Que horas chega em Belém?
 - 18:30
- Ah, Lucas, não dá, preciso chegar às 12, Não tem outro? Por favor!!!
- Tem esse da TAM
- Que horas chega
- 13:45
É esse!!! Gritei feliz
- Mas sai de SP Guarulhos, amanhã às 9
- Tá valendo, vou para São Paulo!

Aí, novamente, ele se foi. Eu o observava, ao longe, correndo de lá pra cá, de cá pra lá, esbaforido.

Pensei: Deve estar arrumando meu hotel e ônibus para São Paulo.

Uns 20 minutos depois, lá vem ele correndo, pegou minha mochilona de 100 litros e disse pra mim,

- CORRE!!!

E saímos os dois correndo pelo aeroporto, eu sem saber por que estava correndo e ele com aquela malona no colo

Perguntei enquanto corria atrás dele

- O ônibus pra SP ta saindo Lucas?
- Não, é seu voo, consegui um voo agora pra vc pra Belém, mas a gente tem que chegar antes que ele decole!
- O que?
- Não faz pergunta e corre!!!

Corremos e como corremos naquele aeroporto, ele me entregou a passagem enquanto corria e perguntou

- Vê aí, qual é o portão?
Disse
– J!!
- Corre pro J!!!

Durante a corrida ele perguntou

- Na mala tem objetos perfurantes, quebráveis...: (o moço do check in, check in que mesmo naquele momento, não saiu do corpo dele)

- Não acredito que vc tá perguntando isso, Lucas? Disse gargalhando e já quase sem conseguir respirar de tanto que corria

- Não, Lucas, não tem!! Respondi rindo e sem folego

Passamos pela sala do raio x, sim!

Ele passou a mochilona e saiu correndo pra J

Passei a mochila que estava comigo e fui atrás

Nisso eu ouvi meu nome no auto falante, Isabel Cristina Gonçalves, ultima chamada

- To indo, to indo!! Gritei

Chegamos, mas o que fazer com a malona?

A moça da Gol, mais antipática, impossível, tinha que ser da Gol, né?

- E essa malona? O Lucas estava quase desmaiando, o pobre, suado e vermelho, ofegante, mal conseguia falar...

Como eu amei, com todas as minhas forças, aquele rapaz naquele momento

- Ahh, dá um jeito

Ela, com a maior má vontade do planeta

Por pouco, muito pouco mesmo, não chacoalhei a criatura e disse, “moça este aeroporto está um inferno, todo mundo estressado, contribui um pouco vai, seja simpática, sorria, não te custa nada”!

- Vou ter que fazer a etiqueta manual

O Lucas doido da vida, disse

- Faz!!! Mas, por favor, coloca na etiqueta a conexão em Brasília.

Havia um rapaz simpático lá que estava cuidando dessa logística, ele sussurrou pra mim

- Pode ficar tranquila, eu vai cuidar da sua mochila.

Me despedi do Lucas, abracei ele tão, mas tão, forte...

E finalmente embarquei

O rapaz responsável pelas malas subiu no avião e me disse que estava tudo certo que a mochila estava embarcada no compartimento. Ufa!!!

Fiz conexão em Brasília e pensava, só falta esta mala sumir na conexão porque está com etiqueta manual. Torci para o avião ficar na pista e a gente ter que ir a pé ou de ônibus para a sala de espera para eu poder falar com o pessoal da mala e, foi o que aconteceu.

Assim que desci encontrei o encarregado, disse pra ele sobre o ocorrido e ele muito simpático e solicito disse que cuidaria da minha mala.

E como se este dia não estivesse louco demais, encontrei com o Ronaldo -, do Voo cancelado em Pelotas, lembram? - no aeroporto de Brasília, chegando.... Tudo havia começado à partir daquele post dele.

A bordo indo para Belém eu só pensava, não acredito que estou a caminho de Belém, hoje! Cheguei, minha mala chegou... Um dia todo errado, mas que terminou muito certo, um dia cheio de gente MUITO, MUITO legal que transformou uma tarde que tinha tudo para ser infernal em uma tarde de parcerias, cumplicidade, simpatia e boa vontade!